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Poeta paraense Andreev Veiga lança seu livro "Por isso as papoulas" na Casa Arari neste sábado(28)
"Por isso as papoulas" vibra uma aguda capacidade de observação política, capaz de captar os desarranjos e os sofrimentos de nosso tempo em suas diferentes manifestações

Por Estante Cultural — Belém(Pará),Amazônia.
27/02/2026 - 07h00
"Por isso as papoulas", terceiro livro do poeta paraense Andreev Veiga — que será lançado neste sábado, às 19h, na Casa Arari — apresenta uma intensa capacidade de observação política. A obra capta os desarranjos e sofrimentos do nosso tempo em múltiplas dimensões, revelando, no olhar do poeta, as violências da guerra, da fome, da desigualdade, do ódio e da incompreensão. Para enfrentar esse mal-estar, seus versos não se afastam da realidade: ao contrário, aproximam-na, trazendo-a para dentro, como algo que precisa ser agarrado com a força que ainda resta.
Nas páginas do livro, o autor constrói uma paisagem humana marcada pela desolação, onde a história se manifesta nos corpos e nas vidas retratadas. Surgem o trabalhador cujos “passos são uma linha de montagem”, constantemente suspeito diante da própria miséria; cantores desesperados projetando a voz à beira do abismo; empregadas que atravessam a portaria de condomínios como imigrantes forçadas a cruzar fronteiras para sobreviver; alguém que se isola no quarto durante a noite de Natal; e o cheiro do corpo morto do pai, que permanece como “uma história inacabada”. Entre essas imagens, aparecem também os refugiados — como o menino Alan Kurdi — vistos pelo poeta no lugar de banhistas em uma praia qualquer, onde “há braçadas perdendo força” e cruzes se desenham na linha do mar.
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Partindo da ideia de que “a compreensão das coisas está na poesia”, cada verso busca revelar “a política no rosto do tempo”. A poeta e tradutora Simone Brantes, responsável pelo texto de orelha, destaca a força da obra ao afirmar que a linguagem do livro recoloca diante do leitor, de forma direta e desnudada, a condição presente do mundo e da própria existência humana. Ainda que atravessada por um cenário de violência e pelo avanço do fascismo “que nos enterra aos poucos”, a voz poética não se rende à resignação: entre a batalha e o pessimismo, permanece um sorriso. Afinal, amamos e sofremos porque não somos feitos de ferro — e talvez tudo seja apenas orvalho. E papoulas, quem sabe.
Andreev Veiga nasceu em Belém (PA), em 1981. Publicou os livros de poemas "diálogonuvem" (Fundação Cultural do Pará, 2016) e "O mergulho do afogado" (Kotter, 2019), e organizou a antologia "O vento continua, todavia: dez vozes da poesia contemporânea em Belém" (Kotter, 2020).
Serviço: Lançamento de "Por isso as papoulas", de Andreev Veiga.
Local: Casa Arari - Trav. 14 de março, 1154, Umarizal.
Horário: às 19h
Fonte: Fósforo Editora
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