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Casa Arari: onde literatura, sabores e afetos constroem um refúgio cultural em Belém
Espaço criado por quatro mulheres que reúne livraria, café marajoara, programação artística e acolhimento em uma proposta que valoriza a cultura amazônica e convida o público a sempre voltar

Por Estante Cultural — Belém(Pará),Amazônia.
21/02/2026 - 07h00
Entre livros, café quente e aromas vindos do Marajó, a Casa Arari se firma em Belém (PA) como um espaço cultural que integra literatura, gastronomia e encontros artísticos. Mais do que uma livraria com café, o ambiente nasce do desejo de preservar a memória cultural amazônica e oferecer um lugar de afeto, permanência e descoberta.
Em uma cidade marcada por sua riqueza cultural, a Casa Arari surge como um respiro sensível e necessário. O espaço nasceu do sonho compartilhado por quatro mulheres: Renata Mendes, Tamires Mendes, Ananda Cardoso e Rosi Pantoja que perceberam a necessidade de mais livrarias de rua e ambientes que estimulam a leitura, o convívio e a valorização da produção regional. O que começou como a ideia de um lugar dedicado aos livros logo se expandiu: vieram o café, os sabores marajoaras e, com eles, a vontade de transformar o espaço em um ponto de encontro cultural.
O resultado é um ambiente que carrega identidade, memória e pertencimento. Ao entrar, o visitante encontra um lugar que convida à pausa — seja para folhear um livro, ouvir música, conversar ou simplesmente passar o tempo. Sofás, estantes e o cheiro do café criam uma atmosfera acolhedora, onde cada detalhe parece pensado para que o público se sinta em casa.
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Para Renata Mendes, médica ginecologista e diretora administrativa da Casa Arari, a literatura é o coração da Casa Arari. “O acervo destaca autores paraenses e amazônicos, com um cuidado especial em resgatar obras que, muitas vezes, se tornaram difíceis de encontrar. Entre as inspirações que ajudaram a moldar o espaço estão os escritos de Dalcídio Jurandir, cuja relação com o Marajó, suas histórias e personagens ajudaram a despertar o desejo de apresentar às novas gerações a força da literatura do extremo norte”, destaca.
Além dos títulos à venda, há também um cantinho reservado para obras raras, disponíveis para leitura no local. A proposta é simples e potente: aproximar o público de nomes fundamentais da literatura paraense e estimular a redescoberta de narrativas que fazem parte da identidade cultural da região.
A Casa Arari não se limita às páginas. De acordo com a estudante de psicologia e chef de cozinha Tamires Mendes, a gastronomia também é um elo afetivo com o território. “O cardápio foi pensado a partir de ingredientes típicos do Marajó, com releituras de receitas tradicionais e criações que evocam o sabor e a memória da ilha. Pratos e lanches trazem produtos vindos de cidades marajoaras, criando uma experiência sensorial que conecta o visitante à culinária amazônica de forma direta e afetiva”. explica a chef.
Essa mistura entre leitura e comida transforma o espaço em algo mais amplo: um lugar de permanência. É comum ver pessoas que chegam para um café e acabam ficando por horas, entre conversas, livros e o clima tranquilo que se estabelece naturalmente.

A programação cultural também ajuda a fortalecer essa proposta. Saraus, rodas de conversa e encontros musicais fazem parte da rotina da casa. A chamada “Noite do Vinil”, por exemplo, convida o público a levar seus discos e compartilhar memórias sonoras. Em outras ocasiões, músicos locais e escritores ocupam o espaço, criando momentos de troca e aproximação entre artistas e comunidade.
Ananda Cardoso, estudante de psicologia e diretora de marketing, explica que o ambiente faz mais do que promover eventos, a Casa Arari busca se tornar um ponto de apoio para escritores independentes e novos autores, abrindo espaço para lançamentos e encontros literários. “A ideia é construir, aos poucos, um território de circulação de ideias, vozes e histórias”, comenta.
O atendimento próximo e atencioso reforça a sensação de estar em um ambiente familiar, onde cada visitante é recebido com cuidado. Essa atmosfera de receptividade faz com que a experiência vá além do consumo: é sobre se sentir parte do espaço.
Segundo Rosi Pantoja, engenheira agrônoma, ativista ambiental e diretora de operações e negócios da Casa Arari, o acolhimento é um dos traços mais marcantes do lugar. “A proposta, afinal, sempre foi essa — criar um lugar onde ler combine com conforto, onde o café seja um convite à conversa e onde a cultura esteja presente de forma viva e cotidiana. Um ambiente onde o visitante se sinta bem o suficiente para voltar, e voltar de novo.”
Ainda em crescimento, a Casa Arari projeta novos caminhos. A inauguração de um quintal cultural e a intenção de aproximar literatura e audiovisual fazem parte dos planos futuros. O acervo de livros segue em constante renovação, e o cardápio também se transforma, acompanhando a criatividade e as referências amazônicas que dão identidade ao espaço.
Mais do que um ponto comercial, a Casa Arari se constrói como um lugar de encontro, memória e continuidade. Um refúgio urbano onde a cultura paraense é celebrada, o Marajó se faz presente nos sabores e nas histórias, e onde cada visita deixa a sensação de que sempre há motivo para voltar.
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