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13 ago 2026

“Brigue Palhaço”: cinema paraense transforma memória histórica em narrativa de resistência


    O drama histórico entrelaça romance, paixão e conflitos políticos em uma narrativa que culmina na tragédia do Brigue Palhaço, ocorrida em outubro daquele ano


 Imagem: divulgação.
 Imagem: divulgação.


Por Nexo Assessoria Belém(Pará),Amazônia.

13/08/2026 - 07h00


A pré-produção do longa-metragem “Brigue Palhaço” está em andamento e leva às telas um dos episódios mais marcantes e ainda pouco explorados da história do Pará: a Adesão do Grão-Pará à Independência do Brasil, em 1823. Com 120 minutos de duração, o drama histórico entrelaça romance, paixão e conflitos políticos em uma narrativa que culmina na tragédia do Brigue Palhaço, ocorrida em outubro daquele ano.


Mais do que uma reconstituição histórica, a produção propõe um olhar amazônico sobre um período decisivo da história nacional. Ao revisitar acontecimentos ligados à Independência, o filme busca resgatar memórias que permaneceram à margem das narrativas oficiais e estabelecer uma conexão entre as tensões do século XIX e questões que continuam presentes na sociedade, como desigualdade, opressão, identidade, justiça e resistência.


“Revisitar esse momento é fundamental para ampliar o olhar sobre a história do Brasil a partir da Amazônia, que muitas vezes ficou à margem dessas narrativas. O filme trata da memória, mas também de questões que continuam presentes, como desigualdade, opressão e a busca por voz”, afirma a diretora e roteirista Elizabeth Santos.


A narrativa combina personagens fictícios, criados para aprofundar os conflitos humanos e emocionais da trama, com personagens históricos que fizeram parte da trajetória do Grão-Pará. Essa construção permite aproximar o público dos acontecimentos sem abandonar a dimensão documental do período. O roteiro parte de uma base histórica e utiliza a liberdade criativa para explorar relações, sentimentos e dilemas que ajudam a humanizar os acontecimentos.


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“Existe uma preocupação constante em respeitar os fatos históricos, mas o cinema também precisa emocionar. Os personagens ajudam a traduzir esse período, revelando conflitos internos, sentimentos e experiências que os documentos históricos, por si só, não conseguem registrar”, explica Elizabeth.


A resistência também aparece para além dos grandes conflitos políticos. Amores proibidos, escolhas difíceis e pequenos atos de coragem fazem parte da narrativa e mostram como a busca pela liberdade atravessa tanto o espaço público quanto as relações pessoais. Ao mesmo tempo, a produção procura representar diferentes camadas da sociedade do Grão-Pará e recuperar perspectivas historicamente silenciadas.


“Nem toda luta acontece de forma explícita; muitas vezes ela se manifesta no silêncio, na intimidade e na coragem de enfrentar o próprio destino. É também nessas pequenas escolhas que a resistência se revela”, pontua a diretora.


Recriar visualmente o Grão-Pará do século XIX é outro desafio da produção. Figurinos, cenografia, locações, direção de arte e fotografia são pensados a partir de pesquisas históricas e valorizam elementos como os rios, as paisagens e os espaços que ajudam a reconstruir a atmosfera amazônica daquele período. A produção mobiliza aproximadamente 300 pessoas, entre elenco, figuração e equipe, em atividades realizadas em cerca de sete municípios.



Marcus Ligocki e Elizabeth Santos - Imagem: divulgação.
Marcus Ligocki e Elizabeth Santos - Imagem: divulgação.


O projeto também conta com a mentoria de Marcus Ligocki, produtor do premiado filme Pureza, que acompanha o desenvolvimento de “Brigue Palhaço”. A participação amplia o intercâmbio de experiências na produção audiovisual e contribui para o processo de construção do longa-metragem.


Para Elizabeth Santos, a realização do filme também representa uma oportunidade de fortalecer a produção audiovisual amazônica e ampliar a presença das narrativas paraenses no cinema brasileiro. “Meu desejo é que o povo paraense se reconheça nessa história, que desperte um sentimento de pertencimento e orgulho, compreendendo que essa memória faz parte da nossa identidade e merece ser preservada.”


Ao tratar de temas universais como amor, perda, injustiça e liberdade, “Brigue Palhaço” busca dialogar também com públicos de outras regiões do Brasil e do exterior. A proposta é apresentar uma parte pouco conhecida da história nacional sem abrir mão das particularidades culturais e históricas da Amazônia.


Mais que cinema, é memória.


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Imagem: divulgação.
Imagem: divulgação.


Elizabeth Santos — cineasta, roteirista e pesquisadora

Cineasta, roteirista, professora de História e Estudos Amazônicos, especialista em Cinema e Linguagem Audiovisual e acadêmica de Direito, Elizabeth Santos nasceu no Amapá e vive no Pará desde os 12 anos. Sua trajetória profissional e artística é marcada pela pesquisa, pela memória, pela história e pela cultura amazônica.


Possui formação em Direção Cinematográfica, Direção de Atores e Direção de Fotografia pela Academia Internacional de Cinema (AIC), de São Paulo, além de integrar a ABRA – Associação Brasileira de Autores Roteiristas e a PAVIC – Pesquisadores do Audiovisual e Iconografia.


Entre seus trabalhos estão o documentário “Seringal Ananin”, premiado no VEMSAC – Paris 2024 como Melhor Documentário na Categoria Especial; o curta-metragem de ficção “A Caverna”, baseado no mito da Caverna de Platão e premiado no MIDC – Espanha e Portugal; e “A Cachoeira do Rio Maguari-Açu”, primeiro longa-metragem realizado em Ananindeua.


Atualmente, dedica-se à realização de “Brigue Palhaço”, projeto que reúne educação, pesquisa histórica e cinema em torno da preservação da memória e da valorização das narrativas amazônicas.




#Audiovisual

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Franciorlis ViannZa - Escritor 

Paulo Ferreira - Escritor e Jornalista

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