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- Estante Cultural
Tudo que o Pará tem de bom: arte, música, dança, entretenimento e diversidade. A gente mostra aqui. Belém fantástica e seus mundos paralelos são tema de exposição #Exposição Saiba mais Aurodharma lança clipe da música "Divã" #SãoPaulo Alfredo Garcia volta à literatura infantil com o livro “LEE VAI PRA LUA” #Literatura #Brasília -DF Vídeoclipe "Dia de Festa" da banda Manttra segue nas plataformas digitais DESTAQUE Grupo teatral de Pernambuco apresenta espetáculo em Belém Grupo de Carimbó de São Caetano de Odivelas se apresenta em Belém Programa Sala de Ensaio traz o brega raiz de Lucyan Costa Saiba Mais ritmos Grupo Tambores de Louvação lança “Caminho Devoto” Peças do Pará integram exposição nacional sobre centenário da Semana de Arte Moderna exposição Saiba Mais Peça já Saiba Mais Saiba Mais dicas Aproveite esse momento a leitura nos trás conhecimento e boas informações Livro: Cantares Amazônicos João de Jesus Paes Loureiro regiões Tommarock lança música em Homenagem às vítimas da Boate Kiss coluna alfredo garcia ESCRITOR E JORNALISTA Poema: SER PÁSSARO Saiba mais Paulo Ferreira ESCRITOR E JORNALISTA Aldir, o mestre-sala das letras geniais Saiba mais SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS @estantecultural.info Saiba Mais ESTANTE CULTURAL Encontre aqui, na sua estante, dicas de música, leitura, filmes e tudo o que o Pará tem de bom Livro: Enquanto Meu Pai Morre, de Alfredo G. Garcia. Saiba mais aqui. Livro: Memórias de Quatro Patas, de Gleice Correa. Saiba mais aqui. Livro: O Apagador de Florestas, de Paulo R. Ferreira. Saiba mais aqui. É um filme de drama e comédia, dirigido por Autumn de Wilde. Trailer aqui. Músico: Léo cafre. Confira suas músicas e outros projetos Aqui.
- Notícia urgente! Extraterrestres e fantasmas serão avistados juntos na Ilha de Colares. As autoridades estão preocupadas
Antes de entrar na minha espaçonave e partir rumo à Nebulosa de Órion, antecipo que a escrita de Agildo Monteiro, particularmente em O Amor do Fantasma, apresenta uma linha aventuresca, noir, envolta em mistérios. / < Voltar Notícia urgente! Extraterrestres e fantasmas serão avistados juntos na Ilha de Colares. As autoridades estão preocupadas Franciorlis ViannZa 20 de nov. de 2023 Antes de entrar na minha espaçonave e partir rumo à Nebulosa de Órion, antecipo que a escrita de Agildo Monteiro, particularmente em O Amor do Fantasma, apresenta uma linha aventuresca, noir, envolta em mistérios. #OuZeSaber ! Por intermédio de contatos imediatos de terceiro grau, recebi um exemplar do romance O Amor do Fantasma , Editora Acadêmica das Letras, em vias de ser lançado para o grande público. O livro é de autoria de Agildo Monteiro , escritor oviniano do município de Colares, uma ilha da microrregião do Salgado, no Pará. A leitura me abduziu para um cosmo de entrecortes históricos (e pouco conhecidos) sobre a vida amorosa de uma figura controversa do Pará: Magalhães Barata, militar, político engenhoso e ex-governador; personagem tão marcante no imaginário popular que mereceu um monumento em Belém: o Memorial Magalhães Barata, alcunhado de Monumento do Chapéu do Barata, inaugurado em 1989. Atualmente, sem cuidados, sem destaque, sem os restos mortais do Barata, sem muita visibilidade apesar de visível. Que, entre outros fins obtidos, o livro de Agildo lance holofotes sobre o Memorial que, dado o descaso, lembra mais uma pedra dantesca em uma das curvas de Belém. Tal e qual aquele afamado juiz israelita, conhecido por sua força descomunal e madeixas organizadas em tranças, Magalhães Barata tinha em sua vida uma Dalila, no caso, a Dalila Ohana. É sobre esses dois personagens que O Amor do Fantasma discorre; uma genuína ficção, com pinceladas de fatos históricos, acontecimentos curiosos e alusões ao livro escrito pela própria Dalila (este sim, um relato biográfico da convivência com o Barata). O Amor do Fantasma trata sobre a volubilidade do poder, a hipocrisia religiosa, a decadência de um mito, a memória garatujada na pele de Belém, questões sobre a união estável, o amor que transpassa a morte, tudo bem amarrado e narrado sob a lupa do insólito. Houve momentos em que a descrição do personagem do Barata me recordou a construção alegórica de Fernando Pessoa, pelas hábeis mãos de José Saramago, em O Ano da Morte de Ricardo Reis . O autor português e o autor paraense empregam um tom melancólico para seus personagens. Outro item em comum: Pessoa e Barata eram adeptos do uso de chapéus. Agildo Monteiro tomou uma ótima decisão ao não dar uma conclusividade para a narrativa. Se eu fosse um desses coachs caça níquel, expressaria um trava-língua com ares de fina intelectualidade: a inconclusão é a única conclusividade conclusa da vida humana. https://www.youtube.com/watch?v=zOAZaIwYjx4 Não ingressarei a fundo nas informações, para não dessalgar as surpresas e reviravoltas que aguardam os leitores. Para conhecer o tudo do todo, indico uma ida à fonte: ao livro. Você deve ter notado os easter eggs sobre extraterrestres com que comecei este texto. Pretendi informar, e informo, que o livro será lançado na data 22/07/2023, no Sebo Livraria, em Colares, município conhecido nacionalmente por relatos de aparições de OVNI’s, ao ponto de se tornar ativo turístico. Por lá, é normal encontrar estátuas de ETs em praças públicas, casas e estabelecimentos comerciais. Se a Ilha do Marajó pertence aos búfalos, e os marajoaras apenas ocupam-na na condição de intrometidos; a Ilha de Colares é dos marcianos, e os colarenses lá vivem apenas como observadores do fausto. Estarei presente no concorrido lançamento. Dividiremos os espaços do Sebo Livraria com o fantasma do Barata, com o espectro de Dalila, com esculturas marcianas, com os plutonianos e saturninos, com alguma missão estelar vinda de galáxias vizinhas, mas ficaremos bem. Tenho medo maior do povo politiano dos anéis de Brasília do que dos alienígenas de Colares. Antes de entrar na minha espaçonave e partir rumo à Nebulosa de Órion, antecipo que a escrita de Agildo Monteiro, particularmente em O Amor do Fantasma , apresenta uma linha aventuresca, noir , envolta em mistérios. Então, quem aprecia Robert Louis Stevenson , irá se esbaldar. Ponha o traje de banho e mergulhe no romance escrito por esse colarense do mundo — e depois, nas lindas praias de Colares. Vamos. Quem chegar por último, casa com o Chewbacca, e leva um peteleco do Yoda! Franciorlis ViannZa, periodicamente, vai abordar temas pertinentes do cenário literário e cultural de nossa região. Compartilhe Facebook X (Twitter) WhatsApp Copiar link Anúncio MAIS COLUNAS ACERVO Olga Savary: uma mulher entre livros e lembranças CRÔNICAS Avião sem banco, cinto e porta OUZESABER Literatura outsider Antes Seguinte
- NOTÍCIAS | Estante Cultural
Estante Cultural é informação. Um espaço jornalístico que tem como proposta divulgar notícias de arte, e atividades sociais e culturais como: cinema, teatro dança, exposições, música, palestras/seminários e ações sociais. NOTÍCIAS Cultura é aqui. Valorize a nossa identidade, a nossa história! Matérias até Julho de 2022 Ver mais Matérias Agosto de 2022 adiante Ver mais
- Extinção/ fusão da FUNTELPA e Fundação Cultural do Pará - a cultura paraense em polvorosa
A centralização das políticas culturais é prejudicial para o sistema cultural e, como sempre, os municípios paraenses afastados de Belém tendem a sofrer mais. / < Voltar Extinção/ fusão da FUNTELPA e Fundação Cultural do Pará - a cultura paraense em polvorosa Franciorlis ViannZa 11 de dez. de 2024 A centralização das políticas culturais é prejudicial para o sistema cultural e, como sempre, os municípios paraenses afastados de Belém tendem a sofrer mais. #OuZeSaber ! O Pará acordou com a notícia de votação, em breve, de reforma administrativa da máquina pública. Internet afora, surgem trechos do Projeto de Lei que versa sobre o tema. Nas redes sociais, Deputados informaram que constam alterações na Secretaria da Mulher, extinção/fusão da FUNTELPA e extinção/fusão da Fundação Cultural do Pará. As ambições do Governo com esse PL são lamentáveis. A centralização das políticas culturais é prejudicial para o sistema cultural e, como sempre, os municípios paraenses afastados de Belém tendem a sofrer mais. Uma única cabeça para gestar um reino anima a corte e oprime a plebe. Verdade se diga: FUNTELPA e FCP não se privaram, grossa margem, de priorizar o setor cultural da metrópole (ah, o velho metropolitismo institucional cravado na estrutura do poder!). Não obstante, nos últimos anos, ambas as instituições (principalmente a FCP) empreenderam passos tímidos, mas importantes para a interiorização. Anúncio Critiquei abertamente o projeto mais nocivo e metropolitista da história paraense - o famigerado Leitura por Todo o Pará -, mas elogio a presença da FCP em Feiras e ações de formação em regiões estratégicas do estado. Diria que a FCP, errando ou acertando, tenta. O mesmo vale para o trabalho desempenhado pela FUNTELPA, que volta e meia destaca temáticas relevantes para a população paraense. A extinção/fusão da FUNTELPA representa o fechamento de portas para muitas vozes dos ‘Parás’. Jamais apoiarei qualquer iniciativa que desmonte os mecanismos de apoio à cultura dos ‘Parás’. Há alguns anos, perdemos o Instituto de Artes do Pará sob o pretexto de que sua fusão com a FCP traria eficiência para a gestão, o que vimos foi o sumiço da filosofia de trabalho do IAP. Anúncio No Pará, não se confirma a máxima de que "vai-se o anel, ficam-se os dedos". Em fusões como as pleiteadas pelo PL da reforma (que também poderia ser chamado de PL do desmonte cultural), costuma-se sacar o braço inteiro, e nunca mais se volta. Vale destacar que o objeto do PL do desmonte não foi discutido com a sociedade, tampouco houve consulta aos trabalhadores da cultura. Faz-se à revelia do povo e à fórceps. Anoiteceu grávido, amanheceu parido. O inchaço da cesárea virá daqui a pouco, junto com as dores tardias. Que os deputados paraenses avaliem a sério as fraturas sociais que serão provocadas por essa reforma, e pesem, sobretudo, que na escala de carências futuras, o interior será o mais prejudicado. E o Governador Hélder sopese que, em termos de sistema cultural, qualquer cálculo que não seja de soma e multiplicação é terrível para a abrangência da mão do estado em território extenso e não qualitativamente integrado como o nosso. Franciorlis Viann Z a, periodicamente, vai abordar temas pertinentes do cenário literário e cultural de nossa região. Compartilhe Facebook X (Twitter) WhatsApp Copiar link Anúncio MAIS COLUNAS ACERVO Olga Savary: uma mulher entre livros e lembranças CRÔNICAS Avião sem banco, cinto e porta OUZESABER Literatura outsider Antes Seguinte
- Literatura outsider
Que falta faz um sistema de circulação de obras e autores! / < Voltar Literatura outsider Franciorlis ViannZa 16 de nov. de 2022 Que falta faz um sistema de circulação de obras e autores! #OuZeSaber ! No mês de setembro, estive no município de Parauapebas, por ocasião do 2ª Baile dos Artistas, realizado no aconchegante espaço “Realce Eventos”, em evento coordenado pela Academia Parauapebense de Letras (APL), presidida pela escritora Terezinha Guimarães. Lá, encontrei com o poeta Charles Trocate. Horas antes, adquirira seu livro “1993”, e, ao ler de forma aleatória, fiquei instigado com estes versos: “É tão difícil dormir/com serpente nos olhos”, do poema “Casa das Árvores”. Enquanto conversávamos – em roda de amigos, no salão –, meditei sobre quantas dessas “serpentes” têm inquietado o sono dos nossos produtores culturais, como o Trocate; um poeta com obra reconhecida no Sul e Sudeste paraense (e até fora do Pará), mas invisível e excluído pela hegemonia dos grandes centros econômicos. Comuniquei-lhe que para ter seu livro em mãos tive que viajar cerca de 767 quilômetros. De outra forma, sua produção não teria chegado fácil ao meu acervo. Que falta faz um sistema de circulação de obras e autores! Sem uma política pública séria que promova um “encurtamento de distâncias” entre as produções culturais do estado, os muitos “Trocates” do interior serão sempre vistos como “ outsiders ” pelos “estabelecidos” de regiões como a minha: a metropolitana. Para esta literatura “ outsider ” (termo que empresto de Norbert Elias e John L. Scotson, com a conotação de "fora do sistema"), o caminho é de piçarra, de pedras, de sol, de pouca água, de sobras, de esperanças fraturadas, de voz sem escutas. Mas ninguém se engane! Os escritores dessa "literatura outsider ", do produto literário “ made in interior ”, não se permitem estagnar. Reinventam-se, utilizam estratégias, fundam academias de letras, clubes de leituras, sebos, provocam Prefeituras e Secretarias de Cultura para a realização de ações literárias, saltam o muro da solidão da escrita, e mobilizam a sociedade em geral (leitores críticos, empíricos, e até os pouco afeitos à leitura) para abraçar iniciativas que visam despertar a população para a importância do livro. Exemplo disso é o citado Baile dos Artistas, que movimentou um público animado com a produção local, disposto a festejar junto com os trabalhadores culturais de Parauapebas mais um ano de dores e glórias. https://www.youtube.com/watch?v=lj5hpHwhMsg Você deve estar se perguntado o que este colunista, caroço de tucumã da região nordeste do Pará, fazia entre os parauapebenses. A Academia Parauabepense de Letras me enobreceu com a entrega de troféu de Honra ao Mérito, por contribuição com o desenvolvimento cultural de Parauapebas. Entendo que o gesto da APL é resultado de uma semeadura realizada por muitos artistas paraenses. O que eles (nós) têm (temos) semeado? A aproximação entre os “ outsiders ”. Atitude legítima, motivada pela certeza que o interior tem uma força incrível, necessita apenas ter maior coesão entre os produtores culturais. Trocando em miúdos: é preciso entender que as barricadas são multiculturais e pluripolíticas, mas a luta é uma só: pela democratização de recursos e pela paridade de investimento no cenário cultural de todos os nossos rincões. Recorro ainda ao texto do Trocate: Para não contentar-me com a cena do [do espetáculo Sou só por ser pascer na cuca [dos ignorados Além do Baile dos Artistas, da noite de gala, da organização primorosa do evento, por parte da competente e elegante Terezinha Guimarães, das apresentações musicais, trouxe na memória uma imagem forte, e com ela encerro nossa conversa de hoje. Na passagem por Marabá, avistei ao longe a movimentação do comboio da empresa Vale, uma verdadeira “serpente” com centenas de vagões, todos abarrotados de minério. Do ponto em que avistei até a aproximação, consumi de 10 a 15 minutos de deslocamento. Passei embaixo da ponte de trilhos; sob o ventre da surucucu de ferro. Diante da visão daquele Colosso de exploração, só consegui imaginar as crateras que ficarão depois que o recurso mineral se esgotar. Concordo, Trocate: é impossível dormir deste jeito. Os perigos na Amazônia nos deixam insones, de coração alerta e palavras desembainhadas. Franciorlis ViannZa, periodicamente, vai abordar temas pertinentes do cenário literário e cultural de nossa região. Compartilhe Facebook X (Twitter) WhatsApp Copiar link Anúncio MAIS COLUNAS ACERVO Olga Savary: uma mulher entre livros e lembranças CRÔNICAS Avião sem banco, cinto e porta OUZESABER Literatura outsider Antes Seguinte
- MANIFESTO CRITICA AUSÊNCIA DA LITERATURA NA COP30 E PROPÕE CRIAÇÃO DO FÓRUM PERMANENTE
O documento pontua que foi um "erro crasso" não ter sido programado nenhum evento sobre literatura durante a COP30, realizada em Belém em novembro. / < Voltar MANIFESTO CRITICA AUSÊNCIA DA LITERATURA NA COP30 E PROPÕE CRIAÇÃO DO FÓRUM PERMANENTE Colaboração: Nélio Palheta, jornalista; Paulo Ferreira, Jornalista; Franciorlis Viannza, Presidente da FALPA 3 de dez. de 2025 O documento pontua que foi um "erro crasso" não ter sido programado nenhum evento sobre literatura durante a COP30, realizada em Belém em novembro. #OuZeSaber ! Escritores e agentes culturais reunidos em Belém, no dia 19 de novembro, no seminário Palavras da Amazônia, lançaram nesta quarta-feira, 3 de dezembro, um manifesto em defesa da literatura amazônica. O documento pontua que foi um "erro crasso" não ter sido programado nenhum evento sobre literatura durante a COP30, realizada em Belém em novembro. O evento Palavras da Amazônia foi promovido pela Federação das Academias de Letras do Pará (FALPA), na Casa da Linguagem, reunindo mais de 150 participantes entre escritores, educadores, alunos, pesquisadores, ativistas culturais e outros trabalhadores do cenário literário. Além de questões sobre a produção literária regional, os participantes discutiram políticas públicas, denunciaram o fechamento de bibliotecas e espaços de cultura, a ausência de práticas pedagógicas de leitura e escrita na rede pública e a falta de apoio e exclusão das vozes femininas na literatura. Anúncio O livro como direito constitucional O manifesto destaca a importância do livro como direito do cidadão garantido pela Constituição Nacional, mediante a execução de políticas públicas que abriguem programas de fomento à produção do livro, incentivo a novos talentos, incremento da circulação e estímulo à leitura e escrita como atividade pedagógica entre jovens e crianças matriculados na rede pública de ensino. O documento afirma que a literatura amazônica é secundarizada no contexto das políticas públicas culturais – produto do descaso ao direito constitucional do cidadão brasileiro à cultura. Ampliando a visão sobre esse aspecto, o manifesto faz referência ao estudo do crítico e ensaísta brasileiro Antonio Candido. No livro Sociologia da Literatura , ele lembra que a literatura é uma "ação humana indissociável da realidade social" e que faz parte do "todo social" e da natureza. Segundo o documento, o livro "é o instrumento que leva o homem a desvendar as complexidades do mundo em que vivemos". No caso amazônico, além do macroespectro do espaço e da natureza propriamente dita, o "todo" implica compreender a importância de ecossistemas regionais tão sagrados ao planeta. Compromissos internacionais Os pressupostos de que o livro é um direito do ser humano constam da Declaração dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Aprovado pelas Nações Unidas e em vigor desde 1976, o pacto compromete os Estados nacionais signatários "a promoverem a conservação, o desenvolvimento e a difusão da ciência e da cultura". O manifesto lembra ainda que a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural da UNESCO (2001) "é outro documento global a destacar que a diversidade cultural não deve ser usada para violar os direitos humanos". Imagem: Jéssica Gomes / Divulgação. Literatura e meio ambiente O documento dos escritores paraenses considera que o livro está intimamente ligado à questão ambiental por ser, também, meio de difusão de conhecimento sobre ecologia e defesa da floresta amazônica. Por isso, questiona a falta de interesse dos agentes locais que organizaram os eventos da COP30 pelo tema. Políticas públicas e instrumentos legais A análise do cenário regional da literatura foca em aspectos pertinentes às políticas públicas e conclama governantes para cumprirem recomendações do Plano Nacional de Cultura (PNC), do Sistema Nacional de Cultura (SNC) e do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Lançado em agosto de 2006, derivado da Lei de Diretrizes do Livro (Lei nº 10.753/2003), o PNLL é um instrumento até agora inócuo, apesar de em 2018 ter sido criada a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), por meio da Lei nº 13.696/2018. Por conta desses instrumentos legais, o manifesto recomenda que os municípios criem imediatamente as estruturas institucionais e funcionais (Conselho Municipal, Fundo financeiro e Conferência de cultura) que garantem o gerenciamento da cultura, contemplando a literatura como um direito da sociedade. Dados preocupantes Citando dados do IBGE e da Confederação Nacional de Municípios, o documento demonstra que o país não dispõe de dados atualizados sobre a existência – ou efetividade – de Conselhos Municipais de Cultura. Em 2021, cerca de 61,1% dos municípios brasileiros receberam recursos da Lei Aldir Blanc, indicando alguma estrutura de gestão cultural. Mas, naquela época, não havia garantia da existência de Conselhos de Cultura efetivamente ativos nos municípios. Em 2015, a CNM informava que a cultura estava fora das políticas públicas de 40% dos municípios. A entidade sugeriu que era uma taxa elevada decorrente da falta de Conselhos. Os autores do manifesto duvidam que esse quadro tenha mudado positivamente e afirmam que a falta dos institutos legais da cultura previstos pelo SNC prejudica a estruturação do setor em todo o país. Sem dúvida, a precariedade é maior no Norte. Imagem: Jéssica Gomes / Divulgação. Escritores amazônicos invisibilizados Ao elaborar uma relação de escritores amazônicos do passado e do presente – particularmente paraenses e amazonenses – além de escritores dos demais países da Pan-Amazônia, o manifesto afirma: "Infelizmente, a bibliografia da maioria dos autores amazônicos ainda é desconhecida de boa parte da população, sobretudo das novas gerações. Ignorados pela crítica e pela mídia – exceto raras exceções –, quase todos os autores são rejeitados pela indústria livreira de grande porte. Ausentes das bibliotecas mais interioranas, são pouco referidos pelas escolas". Propostas concretas Passando do discurso à prática, o manifesto propõe a criação de uma ação regional permanente de defesa e promoção da literatura da Amazônia, que terá o caráter de um fórum de escritores, agentes culturais, empreendedores e representações de entidades públicas e privadas. Sobre esse item, sugere que o fórum a ser criado tenha presença na próxima Feira Pan-Amazônica do Livro, promovida pelo governo do Pará, em Belém. O documento, assinado pela Federação das Academias de Letras do Pará, além de ser difundido pelas redes sociais, será enviado às autoridades públicas, parlamentares de toda a região e instituições culturais públicas e privadas. Este texto é uma colaboração: Nélio Palheta , jornalista; Paulo Ferreira , Jornalista; Franciorlis Viannza , Presidente da FALPA; todos são escritores na Amazônia paraense, vozes literárias da floresta. Baixe o Manisfesto AQUI Manifesto Palavras da Amazônia .pdf Fazer download de PDF • 26.40MB Franciorlis Viann Z a, periodicamente, vai abordar temas pertinentes do cenário literário e cultural de nossa região. 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- CRÔNICAS | estantecultural
Crônicas com escritor e jornalista Paulo Roberto Ferreira. Esse é o mais novo espaço de informação. Os textos terão uma visão crítica dos fatos, com carácter reflexivo e interpretativo. CRÔNICAS Paulo Roberto Ferreira (*) Crônicas: Aldir, o mestre-sala das letras geniais Com Paulo Roberto Ferreira (*) A morte de Aldir Blanc em plena a pandemia deixou a minha geração impactada. Justo ele que gostava de... Crônicas: Mensagens Radiofônicas Com Paulo Roberto Ferreira (*) Alô, alô correio do interior. As mensagens radiofônicas ainda hoje são muito utilizadas na Amazônia. As... Crônicas: Confraria do Açaí Com Paulo Roberto Ferreira (*) Quatro amigos se reencontraram, esta semana, num restaurante da Estação das Docas. Um é artista plástico,... Crônicas: Avião sem banco, cinto e porta Com Paulo Roberto Ferreira Viajar na Amazônia exige uma boa dose de espírito de aventura. Em 1984 eu estava em Xinguara, onde fora... Paulo Roberto Ferreira Escritor e jornalista. Autor dos livros A censura no Pará – A mordaça a partir de 1964; e Encurralados na Ponte – o massacre dos garimpeiros de Serra Pelada Deixe seu cometário
- Ouze Saber | Estante Cultural
A literatura paraense agora tem voz no "Ouze Saber!", aqui no Estante Cultural. Quizenalmente, vamos abordar temas pertinentes do cenário literário e cultural de nossa região. ouze saber! Com a apresentação de Franciorlys ViannZa Alfredo Guimarães Garcia Escritor e jornalista. Nasceu em 1961. Autor de mais de 45 livros. Sugestão de leitura Ecurralados Na Ponte Comícios Pssica Cantares Amazônicos A felicidade é azul
- Ouze Saber | Estante Cultural
A literatura paraense agora tem voz no "Ouze Saber!", aqui no Estante Cultural. Quizenalmente, vamos abordar temas pertinentes do cenário literário e cultural de nossa região. ouze saber! Com a apresentação de Franciorlys ViannZa Alfredo Guimarães Garcia Escritor e jornalista. Nasceu em 1961. Autor de mais de 45 livros. Sugestão de leitura Ecurralados Na Ponte Comícios Pssica Cantares Amazônicos A felicidade é azul
- A injustiça praticada no Pará. Aquisições de livros por parte de órgãos públicos. Entre CNPJ e CPF
Não se deve esperar que os autores saibam dividir com igualdade um bolo de laranja; o bolo deve vir previamente dividido para que todos tenham sua fatia devida, sem rinhas. / < Voltar A injustiça praticada no Pará. Aquisições de livros por parte de órgãos públicos. Entre CNPJ e CPF Franciorlis ViannZa 19 de nov. de 2022 Não se deve esperar que os autores saibam dividir com igualdade um bolo de laranja; o bolo deve vir previamente dividido para que todos tenham sua fatia devida, sem rinhas. #OuZeSaber ! Lúcio Flávio Pinto tem alimentado seu blogue, de título homônimo, com várias publicações sobre aquisições de livros efetuadas pela Fundação Cultural do Pará e SECULT. Os valores apontados pelo jornalista são de deixar o queixo caído. Sussurro para você, amigo leitor: são na casa dos milhões de reais. Lúcio informa o nome das empresas que se beneficiarão com a ação da Fundação. A última postagem traz um título bem irônico, “Livros a granel”, e é datada de 02 de dezembro de 2022. O jornalista faz duras críticas ao fato de que as operações não disponibilizam informações pertinentes para a sociedade, como a quantidade de livros, títulos, autores, preços de capa e etc. Faço coro às críticas do Lúcio. Tornar transparentes os processos de compras de livros por parte de órgãos estatais é uma necessidade para equilibrar a balança desregulada dos investimentos no setor do livro e leitura nos muitos Parás dentro do Pará. Historicamente, tais investimentos beneficiam portfólios de editoras e distribuidoras da capital, com acervos majoritários de CEPs de Belém. Duas informações: primeira, na ponta do processo, o acervo é composto de poucos autores (a rigor, de “renome”); segunda, é comum os mesmos autores se repetirem entre as editoras metropolitanas, isto significa que, em tese, um mesmo escritor pode lucrar mais de uma vez. O autor selecionado pelas editoras e afins é um mercenário e crápula? Óbvio que não! Na mesma situação, eu aceitaria o negócio de cara. Livro é um produto simbólico e econômico. A distribuição isonômica de recursos públicos não é uma responsabilidade de autores, mas sim do Estado. Não se deve esperar que os autores saibam dividir com igualdade um bolo de laranja; o bolo deve vir previamente dividido para que todos tenham sua fatia devida, sem rinhas. As aquisições de livros realizadas no formato de pregão, tomada de preços, licitação para editoras, são injustas com a realidade do cenário literário do Pará. Nesse ponto, tanto autores da capital quanto do interior sofrem, e o que os distancia é somente a geografia do exclusor. Um autor, por exemplo, de Afuá precisará pegar um navio para chegar ao centro da exclusão, enquanto para o escritor de Belém basta pegar um expresso Rio Guamá. É injusto por qual motivo? Pelo simples fato de que em terras parauaras a maioria gritante dos autores se autopublicam e são, por definição de uso, independentes. Cada autor pega seu rico dinheirinho, procura uma editora ou gráfica, negocia em formato de “pacote fechado” e acabou, pega o livro e vira caixeiro viajante de sua própria produção. Assim sendo, a editora que o publicou não tem nenhum compromisso de, por ocasião de ser contemplada nesses pregões e tomadas de preço, inserir aquele livro no portfólio que se destinará a atender a demanda do órgão público, seja SECULT, seja FCP, seja qual for. Passemos o tema a limpo: essas ações apontadas pelo Lúcio Flávio Pinto não injetam recursos públicos no bolso da maioria dos escritores paraenses. Por isso, faz-se sim urgente que tais aquisições discriminem livro, autor e preço de capa. Desta forma, haverá um controle social para garantir que autores dos mais distantes e diversos rincões, que não dispõem de acordos verbais ou contratuais com editoras, tenham a chance de ver suas obras circularem. Certa feita, participei de reunião online com representantes de bibliotecas municipais paraenses e a Fundação Cultural do Pará, e tive a chance de me posicionar sobre o tema. Igualmente fiz em Castanhal, durante visita de escuta pela Fundação - pelo fato de essas aquisições injustas continuarem a fluir, significa que o processo de escuta falhou na devolutiva. https://www.youtube.com/watch?v=EmI6h2pBw5w Aproveito para pedir o apoio de Prefeitos, Secretários de Cultura e Educação, escritores e escritoras, para lutarem pela produção literária local. Rejeitem o recebimento de livros que não abranjam obras e autores da cidade, da região, do interior. Todas essas aquisições precisam ser distribuídas pelos municípios, para alegação de políticas aplicadas em todo o Pará— o velho marketing. Se os livros dessas compras forem devolvidos, mostraremos o que já sabemos: que o interior deixou de ser bobo há muito tempo. É triste pedir que municípios devolvam livros. Mas me parece uma estratégia eficiente, que, a longo prazo, incrementará a economia do livro em nível estadual. Um protesto importante e que mudará a forma de relacionamento entre órgãos culturais da capital e o interior. Para esse processo de devolução, utilizem um critério: indaguem ao remente se há livros de autores locais entre os exemplares doados para a cidade. Pergunta singela e letal. Para os órgãos públicos citados nesta coluna, articulem maneiras legais para vencer os obstáculos da aquisição direta do autor. Enquanto não houver compra por CPF, não se pode falar em projetos que desenvolvam a literatura paraense, uma vez que este estado é uma seara de trabalhadores que lutam sozinhos para tirar seus livros das gavetas. Não sou contra a aquisição por via de CNPJ. Entendo que editoras, sebos, livrarias e distribuidoras são partícipes da economia do livro. Fazem jus ao incentivo público. Reforço, porém, que o cenário cultural paraense é de escritores e escritoras independentes. “Finalmentes”, quando nossos gestores culturais discutirem verbas destinadas para aquisição de obras literárias, lembrem-se de contemplar dois eixos: CNPJ e CPF. Um bom exemplo exitoso é a parceria entre a SECULT e o SESC-PA para aplicação da Lei Aldir Blanc. O SESC efetuou compra de livros de livrarias, editoras e afins, e de autores, por intermédio de edital de ampla concorrência. Mas, Z, as leis restringem compra direta de pessoa física, exigem emissão de nota fiscal, ou que sejam MEI! Ora, ora, senhores e senhoras! Quando há disposição política e interesse pelo bem comum, caminhos são encontrados ou abertos. Mas para quem não deseja se mover do lugar nem mesmo cartografias de néon são suficientes para convencer a caminhar. Caminhemos. Vamos que bora logo. Franciorlis ViannZa, periodicamente, vai abordar temas pertinentes do cenário literário e cultural de nossa região. 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