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Tradição centenária dos abridores de letras é reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Pará
A lei foi publicada na última quinta-feira (02/07) no Diário Oficial do Estado, em um marco histórico para a preservação de um dos mais singulares saberes tradicionais da Amazônia

Por Gil Sóter — Belém(Pará),Amazônia.
06/07/2026 - 07h00
As letras de barcos e o ofício dos abridores e abridoras de letras, uma tradição centenária da cultura gráfica ribeirinha amazônica, foram reconhecidos como patrimônio cultural imaterial do Pará. A lei foi publicada na última quinta-feira (02/07) no Diário Oficial do Estado, em um marco histórico para a preservação de um dos mais singulares saberes tradicionais da Amazônia.
A prática surgiu por volta de 1925, quando a Capitania dos Portos tornou obrigatória a identificação pintada das embarcações. Com o passar das décadas, a exigência administrativa deu origem a uma linguagem visual própria, marcada por letras ornamentadas, cores vibrantes e estilos desenvolvidos por artistas autodidatas, cujas técnicas atravessam gerações e hoje são reconhecidas como uma das principais expressões da identidade cultural paraense.
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Autor da lei, o deputado estadual Carlos Bordalo (PT) destaca que os barcos são mais do que meios de transporte: representam um modo de vida e servem de suporte para uma manifestação artística que expressa a identidade das comunidades ribeirinhas. Segundo o parlamentar, o reconhecimento reafirma "o compromisso com a preservação da diversidade cultural e com a valorização dos saberes tradicionais do povo paraense", além de incentivar as novas gerações a manter viva essa herança.
"Depois de mais de 20 anos de pesquisas e trabalhos com os abridores de letras de barco da Amazônia e, principalmente, após dois anos da institucionalização do Instituto Letras que Flutuam, recebemos com muita alegria a aprovação desse projeto. Esperamos que esse reconhecimento seja um passo importante para a construção de políticas públicas que fortaleçam esses mestres e garantam a continuidade desse ofício", afirma Fernanda Martins, pesquisadora, fundadora e diretora do Instituto Letras que Flutuam.
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