Fernando Assunção

Rapper paraense Daniel ADR lança vídeoclipe 'Nua (No Ar)’


#Música

Imagem: João Pedro Aranha / Divulgação.


Homens negros têm a afetividade constantemente negligenciada e são submetidos a negar sentimentos e à brutalidade. Mas, em “Nua (No Ar)”, o rapper paraense Daniel ADR (@_daniel_adr) quer quebrar esse paradigma. Inspirado em uma sonoridade marcada pelo trap e R&B, a canção foi lançada na última sexta-feira (23/09), já com videoclipe. O trabalho tem o patrocínio da Natura Musical (naturamusical), produção executiva da Psica Gang (@pisicagang) e distribuição da Warner Music (@warnermusicbr).


“A canção fala sobre amor, relacionamento e sensibilidade, a partir da perspectiva de um artista preto, do rap, da periferia, que várias vezes foi condicionado a ser uma pessoa que não deve demonstrar sentimentos e fragilidades. Esse single é sobre se despir e se sentir vulnerável, se entregar e sobre isso tudo ser algo normal. É também sobre os tipos de afeto, entre a população preta, indígena e periférica do norte do Brasil”, diz Daniel.


A influência da pandemia e de acontecimentos políticos se faz clara através de uma leva de canções pesadas lírica e musicalmente, como o primeiro single "Parabéns aos Envolvidos", e "Me Odeia se Puder", por exemplo. Sentimentos pessoais de opressão, relacionamentos em crise e incredulidade se manifestam nos rocks "Tão Fora Daqui", "Será que Vai Chover?" e "Quando Minhas Crianças Crescerem", todos misturando a estética sonora de rock clássico e folk com grunge dos anos 90. Do lado mais leve, temos a surf music de "Filho do Mar", o reggae rock psicodélico em "Flores de Manhã" e o rap em "Legião da Rua".






O videoclipe de “Nua (No ar)” foi selecionado pelo edital Natura Musical, por meio da lei estadual de incentivo à cultura do Pará (Semear), ao lado de nomes como Azuliteral, Raidol e Festival Lambateria, por exemplo. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para mais de 75 projetos até 2021, como Manoel Cordeiro, Dona Onete, Pinduca, Felipe Cordeiro e Thaís Badú. As imagens são da Cabron Studios. O trabalho é o quarto lançado pela parceria entre o selo Psica Gang e a Warner Music Brasil.



“Nós acreditamos no impacto transformador que a música pode ter no mundo. E os artistas, bandas e projetos de fomento à cena selecionados pelo edital Natura Musical têm essa potência de mobilizar o público na construção de um mundo mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.


O universo introspectivo de “Nua (No ar)” abre-alas para o lançamento do segundo álbum de Daniel ADR, intitulado “Black Christ”, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2023. O trabalho sucede “PJL”, divulgado em março de 2021. “O novo single encerra meu ciclo passado, que vem de algo mais pop, colorido e festivo, e adentra essa nova fase mais intimidade, conceitual e sensível. Isso sem deixar de lado as críticas sociais”, conta o artista, que trouxe Erick Di nos beats do novo trabalho.






A nova fase também apresenta o artista em uma nova perspectiva. “O meu próximo álbum, ‘Black Christ’, traz no título essa metáfora com a figura de Jesus Cristo, um ser sagrado para o cristianismo. Isso dentro de uma perspectiva preta, periférica, nortista e afro-indígena, para abordar temas como periferia, classe social e racismo. Por conta desse conceito intimista, eu mesmo estou entrando no personagem, tanto que agora eu só uso cores de roupa, branca, preta, bege e alguns tons neutros”, explica.



“Fazer música no Brasil já é difícil, agora imagina fazer música preta e periférica no norte. A gente passa por vários processos de invisibilização. A parceria da Psica com a Warner é importante porque ela combate isso e coloca que nós existimos e resistimos também em uma grande gravadora mundial, que agora reverbera a música pop, urbana e periférica da Amazônia”, comemora Daniel.



Sobre o artista: Daniel ADR é rapper, compositor e beatmaker. Nasceu em 22 de agosto de 1998 em Belém/PA. Criou-se no deslocamento frequente entre dois bairros periféricos de Belém, Guamá e Cremação, onde por influências familiares cresceu ouvindo rap e samba, ritmos que narram sua trajetória desde a infância, afinal sua vivência se relaciona diretamente com as temáticas abordadas em ambos os estilos.



Texto: Fernando Assunção (Assessoria de Comunicação)

  • Preto Ícone Twitter
  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon