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O futuro definido pelas multinacionais desumaniza as populações amazônicas, diz escritor Ale Santos
Amazônia continua sendo tratada como consumidora de soluções concebidas em outros contextos, sem participação efetiva na definição dos problemas que essas tecnologias deveriam resolver

Por Assessoria — Belém(Pará),Amazônia.
22/06/2026 - 07h00
Radicado em Belém do Pará há quatro anos, o autor de O Último Ancestral, A Malta Indomável e Rastros de Resistência tem se consolidado como uma das vozes brasileiras que discutem a relação entre tecnologia, cultura, território e imaginação de futuro. Para Ale Santos (@savagefiction) a Amazônia continua sendo tratada como consumidora de soluções concebidas em outros contextos, sem participação efetiva na definição dos problemas que essas tecnologias deveriam resolver.
"O futuro definido pelas empresas de tecnologia dos EUA desumanizam as populações amazônicas, a gente recebe verticalmente a proposta deles, antenas de wifi do Elon Musk para que ele colete dados sobre as populações ribeirinhas e transforme em produto, mas o que deveríamos fazer é orientar a tecnologia para nascer de dentro da realidade amazônica, para construir conforto climático ou mobilidade urbana (que aqui considera o transporte pelo rio) e uso de energias renováveis para baratear o custo de vida da população."
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Reconhecido internacionalmente por sua contribuição ao afrofuturismo brasileiro, Ale Santos defende que a Amazônia precisa deixar de apenas consumir tecnologias importadas e participar da construção dos futuros que irão moldar a região nas próximas décadas. Enquanto a inteligência artificial e as grandes plataformas digitais prometem revolucionar o mundo, o escritor Ale Santos acredita que uma questão central continua sendo ignorada: para quem essas tecnologias estão sendo construídas?
A crítica de Ale Santos não é dirigida à tecnologia em si, mas à forma como ela é concebida. Segundo o autor, toda inovação nasce de uma visão de mundo e carrega consigo valores, prioridades e interesses. "A IA não nasceu no código. Nasceu na imaginação”, ressalta.
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