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19 de dez. de 2022

Na Cuia

O curta "Kumaru: cura, força e resistência" segue disponível online


#Música

Imagem: divulgação.


Os caminhos percorridos da espiritualidade, o entendimento de pertencimento como Pajé e a defesa do território, são esses alguns dos temas retratados no documentário “Kumaru: cura, força e resistência”. O filme narra a história do pajé Naldinho Kumaruara que durante seu processo de entendimento da própria espiritualidade começou a compreender sobre seu dom de cura e conexão com os seres sagrados da floresta. O filme tem na produção e roteiro o próprio pajé e a produtora santarena Dzawi Filmes, além de outros indígenas Kumaruara que contribuíram diretamente na execução e finalização.



O projeto faz parte da Websérie Ancestrais do Futuro da Fundação Paulista Tide Setubal e teve lançamento no começo de dezembro na Plataforma do YouTube, no Canal “Enfrente”. É a primeira produção nacional da Dzawi Filmes, que ficou entre cinco finalistas, concorrendo com coletivos de todo o Brasil. As gravações do curta aconteceram dentro do Território Indígena (TI) Kumaruara, na aldeia Muruary, região do Baixo Tapajós na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns (Resex) de onde Naldinho e sua família são, e em outros locais do território que são importantes espiritualmente para o pajé. Foram três dias de gravações que contaram com participações intensas de todos os parentes de Naldinho, que são fortemente ligados ao seu processo e história.






O curta nasceu a partir de conversas feitas entre Naldinho e os diretores Yuri Rodrigues e João Albuquerque, essas trocas permitiram que soubessem mais sobre a história do pajé e todos os desafios que passou até compreender seu dom e a responsabilidade que tinha de levar essa compreensão sobre a espiritualidade para outros parentes. “Entendemos que a história do Naldinho era muito importante e urgente e nós poderíamos coletivamente contar essa história protagonizada por ele”, relata Yuri.



Para Yuri Rodrigues, contar através do audiovisual sobre a pajelança é muito importante para reafirmar a existência e resistência dos curadores na região do baixo Tapajós. “A importância de falar sobre a pajelança é ir contra todas as práticas coloniais de negação, preconceitos e invisibilização dos curadores e mostrar por meio do cinema que os pajés existem e resistem em seus territórios e no cotidiano da cidade. Então o nosso objetivo é poder contribuir para a visibilidade dessa luta e o reconhecimento das lideranças de cura da nossa região”, ressalta.






A resistência do território está fortemente ligada à espiritualidade, e Naldinho ressalta a importância da luta do pajé Laurelino, que também era do povo Kumaru. Foi a partir dele que surgiu um movimento na região do Baixo Tapajós de organização política para reivindicar os direitos dos povos indígenas e seus territórios. “Se nós indígenas estamos lutando, se organizado e retomando nossa aldeia, se a gente não tá bem espiritualmente as coisas não vão dar certo, por isso que falamos que o território é sagrado, no sagrado não existe confusão, não existe egoísmo, nem ambição, é uma coisa só, somos uma coisa só” afirma Naldinho.



Serviço:
● Filme “Kumaru: cura, força e resistência”
● Disponível pela Plataforma do YouTube, no Canal “Enfrente”. Produção e roteiro de Naldinho Kumaruara (@naldinhokumaruara) e produtora Dzawi Filmes (@dzawifilmes).


Texto: Na Cuia - Produtora Cultural


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