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29 de jun. de 2026

Linguagem como resistência: pesquisa destaca o Bajubá e as guerrilhas linguísticas TransLGB no Brasil


    A linguagem é uma importante ferramenta de resistência para a população transgênera, com a criação de códigos e palavras que historicamente garantiram sobrevivência e pertencimento


Imagem: divulgação.
Imagem: divulgação.

Por Na Cuia Belém(Pará),Amazônia.

29/06/2026 - 07h00


A linguagem é uma importante ferramenta de resistência para a população transgênera, com a criação de códigos e palavras que historicamente garantiram sobrevivência e pertencimento. É a partir dessa perspectiva que a multiartista Shayra Brotero desenvolveu a pesquisa “Guerrilhas de Linguagem TransLGB”, lançando luz sobre o Bajubá, um repertório linguístico criado e sustentado por corpos dissidentes como estratégia de resistência, proteção e enfrentamento. A pesquisa “Guerrilhas de Linguagem TransLGB” integra o livro “Palavra: caderno-ensaio 2”, publicado pela editora Instituto Tomie Ohtake.


O que é o Bajubá: Conhecido popularmente como o dialeto LGBTQIAPN+, o Bajubá (ou pajubá) tem sido cada vez mais incorporado ao vocabulário dos brasileiros, principalmente por meio das redes sociais. Termos como acué, amapô, babado e picumã já circulam amplamente no cotidiano. No entanto, mais do que gíria ou bordão, o bajubá é uma linguagem codificada criada por travestis, mulheres trans e gays afeminados em contexto de marginalização, para proteger, reconhecer e afirmar essas existências em um país historicamente violento com corpos dissidentes. Sua origem vem da fusão de palavras da língua portuguesa com termos extraídos dos grupos étnico-linguísticos africanos, como nagô e iorubá, que chegaram ao Brasil por meio dos africanos escravizados da África Ocidental, e reproduzidos nas práticas de religiões afro-brasileiras. Hoje o bajubá é símbolo de identidade e de ancestralidade.



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“Guerrilhas de Linguagem TransLGB”: A pesquisa desenvolvida por Shayra Brotero, investiga como esse repertório linguístico foi, e segue sendo, uma ferramenta de afirmação identitária e de enfrentamento à marginalização de pessoas trans e LGB (lésbicas, gays e bissexuais) no Brasil. Segundo a autora, embora o bajubá tenha se popularizado para além da comunidade, pessoas LGBTQIAPN+ continuam criando neologismos e novas expressões ancoradas nessa linguagem, elaborando códigos próprios que garantem uma comunicação mais seletiva e preservam seu caráter de reconhecimento e proteção entre pares.


“As meninas que ainda estão nas ruas trabalhando com a prostituição têm um uso ainda mais assíduo do bajubá, tendo esse dialeto uma força sem igual quando se trata de resistência, proteção e criatividade. De modo geral, o Bajubá, bem como as demais linguagens de guerrilha TransLGB, é a grande força materializada em palavras que nossas travas ancestrais trouxeram ao nosso universo e que hoje ganha as casas, as comunidades e está na boca do povo apesar de ser o país que mais mata pessoas LGBTQIAPN+”, afirma Shayra.



Serviço: Leia o texto completo AQUI. Informações em @shaybrotero e @institutotomieohtake




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Paulo Ferreira - Escritor e Jornalista

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