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24 de jun. de 2026

Entre oficinas, música e cinema ao ar livre, Barco Regatão inicia travessia pelas comunidades do Tapajós


    Vista Alegre do Capixauã recebeu a primeira programação da expedição, reunindo integrantes do Instituto Regatão e moradores em atividades voltadas à valorização dos saberes e culturas vivas amazônicas


Imagem:  Barbara Vale / Divulgação.
Imagem: Barbara Vale / Divulgação.

Por Natashia Santana Belém(Pará),Amazônia.

24/06/2026 - 07h00


Quando o barco atracou em Vista Alegre do Capixauã, na margem do Tapajós, a programação da terceira edição do Barco Regatão deixou de ser expectativa para se tornar encontro. Durante todo o dia, moradores da comunidade participaram de oficinas, rodas de conversa, atividades voltadas às juventudes e ações culturais que marcaram o início da travessia promovida pelo Instituto Regatão Amazônia.


Vista Alegre do Capixauã foi a primeira parada do Barco Regatão – Tapajós: Corredor de Culturas Vivas, iniciativa que até o fim de junho percorrerá cinco comunidades ribeirinhas promovendo intercâmbio de saberes, formação cultural, cineclube, exposição fotográfica e atividades voltadas ao fortalecimento das culturas vivas de base comunitária.


Inspirado na figura histórica do regatão, personagem que navegava pelos rios amazônicos conectando comunidades por meio das trocas e da circulação de mercadorias, o projeto transforma a embarcação em um espaço de circulação cultural, pesquisa, comunicação territorial e fortalecimento dos vínculos comunitários.


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Formação, música e juventudes

Um dos momentos que mais chamou a atenção dos participantes foi a oficina voltada à elaboração de projetos culturais e ao acesso às políticas públicas para a cultura. A atividade apresentou caminhos para que grupos, artistas e coletivos possam acessar editais e recursos destinados ao fortalecimento de iniciativas culturais nos territórios.


Para a cacica da comunidade Vista Alegre do Capixauã, Iranilce Kumaruara, a experiência trouxe novas possibilidades para os moradores.


“Nossas juventudes foram para o barco participar da oficina de música e dança e também recebemos uma oficina de como elaborar um projeto. A gente nunca recebeu uma orientação desta e aqui temos muitas manifestações culturais que merecem recurso. Tivemos também o cineclube, que foi muito diferente, e a nossa mente expandiu ao assistir”, destacou.


Segundo Marlena Soares, diretora executiva e co-fundadora do Instituto Regatão Amazônia, uma das propostas da travessia é ampliar o acesso das comunidades às políticas públicas culturais e fortalecer os saberes presentes nos territórios.


“Buscamos apresentar ferramentas que fortaleçam a autonomia das comunidades na elaboração de projetos e no acesso às políticas públicas. Também queremos contribuir para a valorização das memórias e dos saberes presentes em cada território, porque o Baixo Tapajós é um território de culturas vivas e de grande diversidade cultural”, afirma.


A programação também contou com atividades do Projeto Afluentes, conduzido pelo pesquisador musical e cofundador do Instituto Regatão Amazônia, Zek Nascimento. Realizada dentro da própria embarcação, a oficina reuniu jovens da comunidade em uma roda sonora voltada à escuta, musicalidade e troca de experiências culturais.


Imagem:  Barbara Vale / Divulgação.
Imagem:  Barbara Vale / Divulgação.


Após a atividade, os participantes tiveram a oportunidade de compartilhar suas próprias expressões artísticas. Um dos destaques foi a apresentação do jovem cantor e compositor Lucas Cardoso, morador da comunidade.


Em início de trajetória musical, Lucas vê na arte uma forma de valorizar as referências culturais do território onde vive.


“Estou começando minha carreira aqui na comunidade e participar de momentos como esse motiva a gente a continuar. Quero mostrar para outras pessoas que a aldeia tem algo muito valioso, que é a nossa cultura. Temos muita riqueza cultural e quero levar isso através da música”, afirmou.


A participação do jovem artista dialoga com um dos objetivos da expedição: criar espaços para que as juventudes reconheçam, valorizem e fortaleçam suas próprias identidades culturais.


Cinema sob as estrelas
Ao cair da noite, a movimentação se concentrou em torno de uma das atividades mais aguardadas da programação: o Cineclube Regatão.



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Enquanto o telão era montado, crianças circulavam curiosas pelo espaço e famílias inteiras começaram a ocupar cadeiras, bancos e redes para acompanhar a sessão. Pouco a pouco, a área se transformou em uma sala de cinema a céu aberto.


Para muitos moradores, a experiência de assistir coletivamente a uma exibição audiovisual em uma grande tela foi algo novo e marcante.


O cineclube busca promover o acesso à produção audiovisual em comunidades onde esse tipo de atividade raramente acontece, transformando o cinema em uma oportunidade de encontro, convivência e compartilhamento de experiências.


Após a passagem por Vista Alegre do Capixauã, o Barco Regatão chegou à comunidade de Suruacá e seguirá nas próximas semanas por Surucuá, Cametá e Pinhel. A última parada da travessia incluirá o acompanhamento da tradicional Festa do Gambá, manifestação cultural com mais de 300 anos de história na região do Tapajós.


Mais do que navegar pelos rios amazônicos, a expedição busca fortalecer laços entre pessoas, territórios e culturas, reafirmando a importância dos saberes comunitários para o presente e o futuro da Amazônia.




Serviço: Barco Regatão – Tapajós: Corredor de Culturas Vivas

O Barco Regatão é realizado pelo Instituto Regatão Amazônia, com apoio da Open Society Foundations, por meio do projeto Cultura e Democracia, e patrocínio do Itaú, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), política pública do Ministério da Cultura e do Governo Federal.




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Franciorlis ViannZa - Escritor 

Paulo Ferreira - Escritor e Jornalista

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