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Com voz potente e manifesto amazônico, Mila Costa estreia “Ouro Verde” em noite de celebração no Na Figueredo
Apresentação marcou a estreia ao vivo das canções do EP e revelou uma artista em plena afirmação, unindo identidade amazônica, potência vocal e conexão intensa com o público

Por Estante Cultural — Belém(Pará),Amazônia.
18/03/2026 - 07h00
O Na Figueredo recebeu o público em um ambiente aconchegante e climatizado, cenário que contribuiu para criar uma atmosfera íntima para a apresentação de Mila Costa. A expectativa pela estreia ao vivo das canções do EP Ouro Verde era perceptível antes mesmo do início do espetáculo — e foi correspondida. A casa ficou cheia, reunindo um público atento e receptivo que, ao longo da noite, demonstrou envolvimento com a artista. Entre aplausos e interações espontâneas, o clima era de proximidade, como se o palco e a plateia compartilhassem o mesmo espaço de escuta e celebração.
A apresentação foi construída como um percurso musical que transitou entre composições autorais e clássicos da música brasileira. A abertura, Mila Costa apresentou Manifesto Nortista, canção que abre o projeto e reafirma sua identidade musical ligada ao Norte do país, ao Pará, trazendo já nos primeiros minutos do show a força de sua presença vocal e o posicionamento artístico que atravessa seu trabalho.
Ao longo da noite, o repertório revelou a pluralidade que caracteriza a trajetória da cantora. Canções autorais como Da Minha Terra, Saudades, Conquista, Fim de Festa e Eu Mereço Mais dividiram espaço com interpretações de obras marcantes da música brasileira, como Naquela Mesa, Trocando em Miúdos, Maria Maria e Conselho. A seleção evidenciou a amplitude de referências que compõem a formação musical da artista, que transita com naturalidade entre o samba, o jazz, o brega e a canção popular.
Esse mosaico sonoro também se expandiu para ritmos e símbolos da cultura amazônica. Em momentos de forte identificação com o público, o espetáculo ganhou contornos regionais com músicas como Sereia do Mar, No Meio do Pitiú e o tradicional Carimbó do Macaco/Dona Maria, reafirmando a conexão da cantora com o território de onde vem. O bis com Curió do Bico Doce encerrou a apresentação em clima festivo, consolidando uma noite marcada pela diversidade musical e pela potência interpretativa de Mila Costa.
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No centro da apresentação esteve a voz da artista, que se revelou potente e segura ao longo de todo o espetáculo. Mila demonstrou domínio técnico e sensibilidade interpretativa, conduzindo cada canção com precisão musical e emoção. A cada música, a resposta do público vinha em forma de aplausos calorosos, evidenciando a conexão que se estabelecia entre palco e plateia. A potência vocal da cantora não se impôs apenas pela intensidade, mas também pelo controle e pela forma como soube modular a interpretação de acordo com o clima de cada canção.
Outro aspecto marcante da noite foi a relação direta que Mila construiu com o público. Entre uma música e outra, a cantora compartilhou lembranças pessoais e histórias que ajudaram a contextualizar parte de sua trajetória musical. Em determinados momentos, evocou memórias da infância e relembrou influências familiares, como o contato com o jazz incentivado pelo pelo pai e memórias afetivas com o avô. Essas pequenas narrativas aproximaram ainda mais a artista da plateia e revelaram um lado íntimo de sua formação musical.
Essa proximidade também se manifestou de forma leve e espontânea. Mila convidava o público a participar, incentivando quem estava presente a dançar e a se envolver com o ritmo das músicas. O gesto transformou o show em um espaço de encontro e calor coletivo, reforçando a ideia de que o espetáculo não era apenas uma apresentação musical, mas também um momento de partilha entre artista e público.
Entre os momentos mais marcantes da noite, Manifesto Nortista se destacou como um dos pontos de maior densidade simbólica do espetáculo. Logo no início da apresentação, a canção se impôs não apenas como música, mas como posicionamento artístico. Ao abordar temas ligados à identidade amazônica, Mila Costa trouxe à tona críticas sobre a forma como a região é percebida fora de seus limites geográficos. Em versos que evocam elementos como a castanha-do-Pará — que muitas vezes passa a ser chamada de “castanha do Brasil” conforme interesses externos — a cantora expõe uma reflexão sobre pertencimento, reconhecimento e apropriação cultural.
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A música também toca em questões mais profundas relacionadas aos povos originários e à maneira como a Amazônia é frequentemente vista de forma simplificada ou distorcida. Ao mencionar expressões como “parente”, palavra carregada de significado nas culturas indígenas e muito presente na linguagem regional, a artista reafirma vínculos culturais que ultrapassam o território físico e se conectam à memória e à identidade coletiva. No palco, a interpretação da canção ganhou ainda mais força, transformando o momento em uma espécie de manifesto poético que convidava o público a refletir sobre o lugar do Norte dentro do imaginário nacional.
Outro elemento que contribuiu de forma decisiva para o sucesso da apresentação foi a sintonia entre Mila Costa e os músicos que a acompanharam no palco. A banda demonstrou entrosamento e sensibilidade ao conduzir os arranjos, sustentando a potência vocal da cantora e ampliando as nuances de cada canção. Sob a produção musical e guitarra de Davi Amorim, o espetáculo ganhou uma base sólida que transitou com naturalidade entre os diferentes ritmos apresentados no repertório.
Ao lado dele, Rodrigo Ferreira no teclado, Kleber Benigno na percussão, Elder Queiroz no baixo e Ismael Rodrigues na bateria formaram um conjunto musical equilibrado, atento às dinâmicas do palco e à interpretação da artista. A interação entre banda e cantora foi perceptível ao longo de toda a noite, criando momentos em que os instrumentos dialogavam diretamente com a voz de Mila, reforçando o caráter orgânico e vivo da apresentação.
Um momento especial também marcou a noite com a participação do músico convidado Delcley Machado. Recebido com entusiasmo pelo público, o artista trouxe ao palco uma presença que reforçou o espírito de colaboração e parceria musical do espetáculo. Sua participação agregou ainda mais força à apresentação e foi ovacionada pela plateia, que respondeu com aplausos calorosos, reconhecendo a energia artística compartilhada naquele encontro.
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Ao longo da noite, Mila Costa foi recebida com aplausos constantes a cada interpretação, sinal claro da conexão que se estabeleceu entre artista e plateia. Em um dos momentos mais simbólicos do espetáculo, a cantora chegou a receber flores do público, gesto que traduziu o clima de reconhecimento e afeto presente no ambiente.
O show encontrou seu ápice quando os ritmos mais dançantes tomaram conta do palco. Nas sequências de carimbó, a atmosfera mudou completamente: o público respondeu com entusiasmo, levantando-se, dançando e participando ativamente da apresentação. Foi nesse momento que a energia coletiva do espetáculo se revelou de forma mais intensa. Mila convidava a plateia a dançar, incentivava a participação e transformava o palco em um espaço de celebração compartilhada.
A resposta foi imediata, com pedidos de bis e uma vibração contagiante que tomou conta do ambiente. O carimbó, com sua força rítmica e ligação direta com a cultura amazônica, tornou-se o ponto de encontro entre artista e público, selando a apresentação em clima de festa.
Ao final, o que ficou evidente foi a capacidade de Mila Costa de transformar o palco em um lugar de troca. Entre memórias pessoais, críticas sociais, diversidade musical e momentos de pura celebração, o show reafirmou não apenas a potência de sua voz, mas também a força de uma artista que encontra na música um caminho para conectar histórias, territórios e pessoas.
Mais do que a estreia ao vivo de Ouro Verde, a apresentação revelou uma cantora em plena maturidade artística. Mila Costa se afirma como uma voz feminina da música amazônica contemporânea — uma artista que canta com técnica, presença e identidade. E, diante da resposta calorosa do público naquela noite, fica a sensação clara de que sua trajetória está apenas começando, mas já ecoa com força suficiente para atravessar fronteiras e afirmar, com orgulho, o lugar da música paraense no cenário brasileiro.
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