Outros Nativos promovem campanha para ajudar artistas da periferia

Atualizado: Jul 6

#OutrosNativos


Fartura Flame e Fartura Muk / Outros Nativos - Imagem: Taisse Naiade.

O Coletivo Outros Nativos, formado por artista e produtores da periferia de Belém, está promovendo uma ação de apoio aos seus profissionais da música. A ideia é arrecadar R$ 10 mil que serão usados no pagamentos de serviços e apoio financeiro para atender esses artistas e produtores que ficaram sem fonte de renda e sem políticas públicas de cultura, suspensas durante a pandemia do coronavírus.




A ação também servirá à manutenção das ações de mídia e comunicação do Coletivo que servem à promoção do trabalho dos artistas. Recentemente, o Outros Nativos publicou uma série de cinco vídeos documentários de cinco minutos cada um. O vídeo traz entrevista e performance musical com grupos alternativos da cidade, como Steamy Frogs, Superself, Conjunto Caruana e Fartura Flame.




Atualmente o grupo tem realizado lives e produzido outros clipes e reportagens durante a pandemia, para abordar a situação dos artistas e da comunidade onde eles atuam. Brenda Belive, cantora LBGT de 22 anos, além de ter os shows cancelados, foi assaltada no Barreiro, bairro onde mora. Teve o celular e a bicicleta roubados. Por causa disso não conseguiu fazer sua live porque os seus arquivos de áudio estavam dentro do aparelho.




“A situação na periferia é muito grave. Nunca tivemos acesso a políticas públicas de cultura, e agora com todos os problemas desse auxilio emergencial, a situação fica pior. A gente deve contar com a solidariedade dos colegas e da sociedade, precisa ter consciência social”, diz Brenda, que canta músicas populares como arrocha e forró nos bares para viver, mas também compõem músicas autorais.


Jhonny Half - Imagem: divulgação.


Já o cantor e produtor Jhonny Half, 32, cronner de bandas baile da periferia do Barreiro,

decidiu há cerca de dois anos seguir em carreira solo divulgando seu trabalho autoral. Ele conta que a pandemia quebrou seus planos de se afirmar como artista autoral a curto prazo. “Agora dificultou tudo. Eu fazia, além da música vários serviços, e agora a gente tá tendo que se virar. Ainda temos saúde, nesse momento, mas a doença sempre acaba chegando muito perto, através dos vizinhos e parentes. Na periferia, o isolamento social é muito difícil, muita gente tem que correr atrás e acaba se expondo”, disse ele que não tem estrutura para fazer lives produzidas.




O compositor e produtor Nicobates, bandleader da Nicobates e Os Amadores, também teve que cancelar uma turnê e uma série de shows pelo interior do estado em momento que estava em pleno processo de promoção de seu trabalho. “É muito difícil. Muita gente que é empreendedora na música tem outras fontes de renda, como eu, mas você perde o investimento e, pior, perde a capacidade de gerar renda para outros profissionais. O investimento na minha banda vai para videomakers, designers e os músicos. Pelo menos 40% dos meus músicos viviam exclusivamente da música”, conta ele.



Brenda Belive por Nicobates - Imagem: divulgação.

Artista dependente - Nessa situação, o artista estabelecido tem vantagens, consegue vender publicidade em lives ou assinar contratos promocionais, mas os artista que está correndo atrás de se firmar, acaba sendo pego no contrapé de seu processo de afirmação. “O Outros Nativos era para ter várias ações esse ano de profissionalização e de capacitação técnica, mas na situação em vivemos isso tudo perde parte do significado. Agora nós estamos lutando pela sobrevivência dessas pessoas na periferia, sem esquecer o que eles são para a sociedade como artistas e como cidadãos”, afirma Nicobates, que é também coordenador do Festival Outros Nativos.




Com a pandemia todos os editais do ano foram suspensos, causando grande prejuízo ao projeto. Rael Andrade, compositor e vocalista da banda Superself, que aderiu ao movimento Outros Nativos recentemente, explica que a inciativa criou uma expectativa muito grande em todos os artistas e na comunidade. “Quem conhece o Nicobates de perto sabe como ele é dedicado a esse projeto e estava justamente formando uma grande equipe e ganhando a confiança da comunidade e dos artistas. Agora é se ajudar para superar essa situação”, disse ele.




Entre os artistas que fazem parte do Coletivo estão ainda os irmãos Fartura Muk e Fartura Flame, jovens de 21 e 23 anos que agitavam antes da pandemia o Circuito Cultural Dorothy Stang, nome da Praça na Sacramenta onde ocorria o evento de batalha de rap. Sem movimentação na praça agora eles não tem onde vender os salgados e sucos preparados pelos pais. Sem ocupação, eles trabalham atualmente na construção da laje da casa da família, mas falta recursos tanto para a obra quanto para pagar as contas.





“Essa pandemia escrachou a desigualdade da periferia, mano. Todo mundo fala em ficar em casa, em isolamento social mas eles não sabem que o povo precisa trabalhar para pode sustentar a família. E nós estamos com o Outros Nativos querendo fazer tudo pelo certo. Precisamos da ajuda da sociedade”, diz Samuel, o Muk.




PARA AJUDAR: Se você puder ajudar o coletivo de artistas da periferia de Belém, pode doar qualquer quantia a partir de R$ 25 pela plataforma de financiamento coletivo, Vakinha. Doações menores que esse valor são aceitas através de depósitos ou transferência da conta corrente 15.244-7 agencia 3702-8 do Banco do Brasil, em nome de Elielton Alves Amador. O dinheiro será revertido em favor das ações e dos artistas do coletivo e ajuda financeira aos mesmos.




SERVIÇO:

Colabore: Link da vaquinha: http://vaka.me/1014304

Acesse nosso site e nossas redes sociais:

www.outrosnativos.com.br / Instagram / Facebok

Informações: (91) 9818 7474


Texto: Assessoria de Comunicação


31 visualizações