Jovem com TEA vence concurso de novos compositores da Fundação Carlos Gomes
- Admin Estante Cultural
- 31 de mai. de 2022
- 3 min de leitura

Oboés, fagotes, violinos, violoncelos, tímpano, trompetes, todos soando juntos a partir do que jovens mentes musicais imaginaram. É o que propôs a primeira edição do Concurso de Composição, lançado pela Fundação Carlos Gomes dentro de seu I Festival de Composição - evento que estreou na última quinta-feira (26/05), trazendo extensa programação didática e artística para os entusiastas da música erudita. Lançado via chamamento interno, o edital do concurso recebeu inscrições de peças inéditas, arranjadas para orquestra de cordas ou orquestra de câmara, criadas por alunos do Instituto Estadual Carlos Gomes. As obras foram enviadas de maneira completamente anônima, sem identificação nem do autor nem da peça, e avaliadas por banca constituída por professores e membro externo. Além de prêmio em dinheiro, os vencedores receberam a maior emoção que um compositor iniciante de obras eruditas poderia ter: assistir a uma orquestra executando sua criação.
Cheio de fortes emoções, o concerto de abertura do I Festival de Composição, realizado na Igreja de Santo Alexandre, foi o cenário da estreia para as três obras campeãs. Lá, a Orquestra Sinfônica Carlos Gomes performou pela primeiríssima vez a obra dos três finalistas. O grande vencedor da noite foi José Carlos Corrêa, de apenas 19 anos. Estudante do primeiro semestre do Bacharelado em Composição do IECG, o jovem com Transtorno do Espectro Autista surpreendeu a banca com sua “Sinfonieta no 1”, dividida em três movimentos. “Eu fiz essa peça num momento em que estava vivendo novas experiências. Sou muito grato por ter entrado no Bacharelado este ano, era um sonho pra mim, assim como estou muito grato por ver uma orquestra executando minha peça. Esse era outro sonho. Estou muito feliz”, emocionou-se José, aclamado pelo público presente.

Matheus Santos (@srmatheusos) levou o segundo lugar, com uma obra densa inspirada no serialismo - método de composição surgido no início do século XX. Emocionado, Matheus agradeceu a Deus pela criatividade e habilidade musical, e ofereceu a vitória ao pai: “há quase dois anos, meu pai faleceu. Foi ele quem me educou para a música, gostaria muito que ele estivesse aqui”.
Quem ficou com o terceiro lugar foi Débora Jordana (debyjordana), cria da escola de música há mais de dez anos. Sem computador, a jovem escreveu sua obra inteira pelo celular. Assim surgiu a peça “O Amanhecer”, inspirada em nomes como Bach, Beethoven e Ravel. “Ainda tô muito nervosa, mas já tinha até dado entrada num computador contando em ganhar o dinheiro do prêmio”, brincou Débora. O maestro Pedro Messias, regente da OSCG, fez questão de assinalar a importância da representatividade. “É muito bom que, no primeiro Concurso de Composição da história do IECG, tenhamos no pódio uma mulher negra ocupando este espaço”. Receberam ainda menções honrosas os compositores Misael Carvalho, Lucas Queiroz e Camila Alves, que também concorreram.

O professor Marcílio Onofre, vindo da Paraíba para o Festival a convite da FCG, estava na banca avaliadora. Ele elogiou a iniciativa. “Além do prêmio oferecido, a maior relevância do concurso reside no fato dos alunos poderem aprender na prática a partir do processo de escrita e escuta de suas próprias composições. Essa iniciativa se torna ainda mais importante por ter sido dada para os alunos a oportunidade de escrever para uma orquestra. Espero que outros concursos possam ocorrer nos anos seguintes, estimulando ainda mais a produção dos jovens compositores paraenses”, pontuou.
O professor Victor Dantas, mentor do festival e organizador do concurso, comentou a importância da realização. “Uma competição estimula o senso de objetividade no fazer composicional. Ao se inscrever para o concurso, os alunos têm um tempo para escrever suas obras com o mais alto grau de detalhes e aprofundamento. Além deste estimo, o concurso também prepara os compositores para o mercado profissional na área, tendo em vista que existem concursos anuais com prêmios que podem a chegar até 20 mil euros”, argumenta o professor. “O estímulo foi tão grande que alunos marcaram aulas extras; e nas aulas coletivas de composição, eles não queriam sair da sala, ficando no
laboratório até o momento do fechamento. Como professor, pude acompanhar de perto os alunos e alunas. É magnífico participar do processo criativo e social deles”.

Texto: Camila Barbalho (Assessoria de Comunicação)
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