Ronaldo Guedes apresenta exposição virtual “Entrelaçamentos ancestrais”

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Ronaldo Guedes - Divulgação.


A arte marajoara, fruto da identidade indígena deixada como herança ao povo que habita o Marajó, é a especialidade de Ronaldo Guedes, artesão que abriu esta semana a sua primeira exposição virtual, intitulada “Entrelaçamentos ancestrais”, no site Arte Mangue Marajó que, além das imagens absurdamente lindas da mostra, também traz pesquisa sobre essa cultura e informações sobre a trajetória do artista e mestre.




As peças de Ronaldo Guedes, nesta exposição, reproduzem formas humanas entrelaçadas aos formatos das raízes aéreas comuns de se ver na região ribeirinha amazônica, é característica visual e ambiental dos nossos mangues.



Feitas com cerâmica e madeira, vários rostos ou corpos se misturam não só à matéria prima com que foram produzidas, mas também ao próprio ambiente de onde a mesma foi retirada. É o que vemos nas belas fotos de Pierre Azevedo, fotógrafo que integra o projeto, contemplado pelo Prêmio Preamar de Cultura 2020, da Secult, Governo do Pará, com realização do Ateliê Arte Mangue Marajó e apoio do Programa Coroatá - UFPA/Campus Soure.



Exposição virtual “Entrelaçamentos ancestrais” de Ronaldo Guedes - Divulgação.


Ao percorrer as dezenas de imagens das peças dispostas no meio ambiente, na ilha de Soure, tive a sensação de viajar no tempo, visitando algum lugar da nossa ancestralidade que nos desperta a real importância de cuidar das nossas florestas e rios. E o próprio artesão reconhece que seu legado artístico está diretamente ligado a seus ancestrais. Eles são a sua inspiração.




“Tenho uma pesquisa em iconografia marajoara, me inspiro no estudo da forma dos grafismos e aplico isso nas peças. Também faço uso de pigmentos naturais, técnica muito usada por nossos antepassados. Não é simplesmente uma reprodução, mas sim a reinvenção da arte local”, considera.



Identidade e ancestralidade que movem o mestre


É a partir do processo de reconhecimento da importância de uma arte identitária, que Ronaldo passou a pensar sua produção de maneira mais política. Inaugurado em Soure, em 2003, o Atelier “Arte Mangue Marajó”, que agrega, desde 2007, um coletivo de vinte artesãos ceramistas que se dedicam à pesquisa histórica dos saberes e fazeres da arte cerâmica marajoara e à experiência de novas criações, produção e comercialização das peças.




“É importante a gente repassar nosso conhecimento, para que a cultura não desapareça. Passei a dar aulas e possibilitar vivências no atelier”, conta o artista, que integra a Associação dos Moradores do Bairro Pacoval (Ampac), entidade que realiza diversas atividades culturais em Soure, como a já conhecida roda de carimbó que agita a cidade aos sábados.




Foi em 2005, segundo a cartilha que está no site, que Ronaldo Guedes construiu o primeiro forno no ateliê, um importante passo para consolidar a produção da cerâmica no ateliê. O artista afirma que o encontro com sua ancestralidade com o manuseio do barro lhe permitiu liberdade para suas criações, um verdadeiro “alento para a alma”.



Exposição virtual “Entrelaçamentos ancestrais” de RONALDO GUEDES - Divulgação.


Adorei conhecer o site, dica da realizadora Zienhe Castro, que há alguns anos mantém um caso de amor com a arte marajoara. Em 2009 ela conheceu Ronaldo Guedes, e o convidou para esculpir o primeiro troféu do Amazônia Doc, um mega projeto audiovisual que ela idealizou, com foco no documentário produzido na Pan Amazônia. Desde então ninguém mais assumiu o posto, só deu o Ronaldo. A cada ano, o artista vem inovando com madeira e de cerâmica. Este ano, ele usou a acapu, muito presente no cotidiano de da ilha.




No site, logo na entrada, já é possível acessar a exposição ou a cartilha, que faz um recorte principal sobre a cultura marajoara e depois discorre sobre a criação do atelier Mangue do Marajós e a história profissional de Ronaldo Guedes. Este ítem também é o conteúdo que achamos na sala de pesquisa. Já no salão de exposição e no botão do próprio atelier, há, ainda, vídeos sobre o artesão e demais colaboradores.




É possível também fazer encomendar uma peça para compra, por meio digital. Caso você vá até o Marajó, em Soure, o Atelier Mangue Marajó e suas peças podem ser adquiridas nos espaços da Travessa 23 entre 12ª e 13ª ruas, bairro Pacoval e Travessa 14, prolongamento, bairro Umirizal.



Serviço: para acessar tudo isso, clique: www.artemanguemarajo.com


Texto: Luciana Medeiros (HOLOFOTE VIRTUAL)

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