Racismo ambiental é discutido em Santarém (PA) durante Festival de Cinema

#Dialogo

Imagem: Tay Silva / Divulgação.

Racismo ambiental é discutido na comunidade de Pérola do Maicá, em Santarém (PA), durante formação e intercâmbio sobre cinema promovido pela 5° edição do Festival de Cinema das Periferias e Comunidades Tradicionais da Amazônia. A temática do racismo ambiental é o foco principal das narrativas construídas e protagonizadas pelos participantes, de jovens, pescadores, agricultoras a quilombolas moradores do Pérola do Maicá, que trazem a partir do cinema a vivência de cada comunitário, as suas lutas e a importância do bairro para a sociedade, evidenciando como problemas ambientais afetam desproporcionalmente as populações negra, indígena e outras comunidades

tradicionais, que sofrem mais com os efeitos da exploração predatória do meio ambiente.




William Victor, 20, coordenador do projeto Encantos do Maicá - Turismo de Base Comunitária e participante da formação, relata sobre a sua relação com o território. “O audiovisual pode buscar histórias das pessoas mais antigas do bairro e a juventude entender a importância de registrar as memórias do nosso território, não deixar pra trás! Eu quero que futuramente meus filhos saibam de onde eu vim, como foi minha forma de viver, o que eu apreciei na minha juventude que foi o bairro e o Lago Maicá e, algumas vezes, para desestressar, eu saía para pescar com os meus amigos. Então, eu quero passar a importância dessa relação para toda comunidade, o que não deixa de ser uma forma de se importar com a natureza e de se preocupar".





Situado em uma área periurbana do município de Santarém, no Oeste do Pará, o bairro Pérola do Maicá possui uma diversidade de moradores e identidades como quilombolas, indígenas, agricultores e agricultoras, pescadores e ribeirinhos que convivem numa dinâmica de vida que entende a natureza como fundamental para sua sobrevivência, destacando as diferentes atividades ligadas ao Lago do Maicá que é berçário natural de espécies únicas da fauna aquática e possui a presença de um importante patrimônio arqueológico, mas por outro lado enfrentam vários desafios de ausência do estado no cumprimento de políticas básicas como infraestrutura, educação e saúde, conforme salienta Yuri Rodrigues, 25, gestor público e educador popular da Fase Programa: “Essa ausência de políticas públicas favorece as estratégias do avanço de grandes empresas e projetos que tentam passar por cima da identidade e ancestralidade e do lugar que essas pessoas vivem, por entenderem a natureza e a vida

das pessoas como mercadoria”.



Imagem: Tay Silva / Divulgação.


Existe uma dinâmica portuária advinda da influência do agronegócio, na qual a região norte do país é vista como uma saída rentável para o escoamento de produtos brasileiros para o mercado internacional, o que preocupa principalmente as populações originárias e ribeirinhas, como é o caso do Lago do Maicá, onde a Empresa Brasileira de Portos em Santarém (Embraps) pretende construir o Terminal de Uso Privado (TUP), qual já foi sentenciado a condição de liberação somente mediante consulta prévia livre e informada de povos quilombolas e indígenas residentes do território, que não foi cumprida conforme determinação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).




Para Valdeci Oliveira, 55, moradora do bairro há 15 anos e há 2 anos está na função de presidenta da Associação de Moradores do Bairro Pérola do Maicá - AMBAPEM, as melhorias de condições sociais da comunidade aconteceram diante de muita luta dos próprios comunitários e da ausência do poder público. “ A gente tem muitas carências e a luta dessa associação no decorrer desses 30 anos foi a partir dos próprios comunitários, uma luta muito árdua para conseguir iluminação pública, abertura de rua, etc. Isso pra mostrar de fato como a gestão pública é omissa às necessidades das comunidades e, principalmente, das organizações sociais, que é o que temos vivenciado, essa grande dificuldade que é dialogar com o poder público no sentido do cumprimento das políticas públicas que são direitos dos cidadãos, não é troca de votos e nem de favores, é exatamente direitos”





SERVIÇO: Programação de encerramento da “campanha da cerâmica” da AMBAPEM em parceria com a 5° edição do Festival de Cinema das Periferias e Comunidades Tradicionais da Amazônia.

Dia: Domingo (01/05)

Local: Sede da Associação dos Moradores do Bairro Pérola do Maicá, Av. Maicá, 271 - Santarém)

Gratuito e aberto ao público!

Acompanhem a programação pelas redes sociais: @telas_emmovimento e YouTube.


Texto: Na Cuia Produtora Cultural


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