Projeto “Encantarias” encerra etapa na Vila Que Era em Bragança/PA

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Dona Rosa (Vila que Era) - Imagem: Mayka Melo.


O projeto "Encantarias de São Benedito: performances visuais do Santo Preto em comunidades de terreiro” encerra sua primeira etapa com uma programação especial, neste sábado, 1º de maio, a partir das 19h, no Centro Comunitário da Vila Que Era, em Bragança. O projeto é um dos contemplados pelo edital de Artes Visuais Fotoativa Aldir Blanc, Secult-PA. A programação conta com mostra fotográfica e audiovisual, além do lançamento do videoarte documental "Ritos de Passagem - Pai Raimundo da Vila Que Era".




Trazendo como proposta a vivência artística e coletiva da foto e vídeo performances em duas comunidades de terreiro, a partir da relação dos moradores, filhos de santo, marujos e marujas com os cultos a Toiá Averequete, da tradição afro-brasileira do Tambor de Mina; e a São Benedito, da Marujada da tradição católica.




O documentário traz os registros dos ritos de despedida de Pai Raimundo, realizados com ladainhas e tambor de choro, em seu terreiro, logo após seu falecimento no dia 8 de março. Umbandista e Marujo, Pai Raimundo mantinha práticas tradicionais do terreiro, que ficava na rua para todo mundo ver. Todos os anos ele recebia a esmolação do santo preto que ainda passava pela Vila Que Era.




“Isso é interessante, pois não era uma prática velada, embora muitos marujos tenham abandonado suas práticas religiosas umbandistas ou como eles chamam, macumbeiras, pra poder se encaixar melhor nas exigências da Marujada”, diz Marília Frade, artista-pesquisadora e educadora com estudos teóricos e práticos no teatro do oprimido, moradora de Bragança.



A exposição de fotos e vídeo performances, que resulta, assim como o documentário, dos registros realizados no Terreiro de Pai Raimundo, só poderá ser vista neste sábado e domingo, na comunidade, mas o público em geral poderá ver diversos desses conteúdos pelas redes sociais do projeto. O vídeo arte documental será disponibilizado no canal de YouTube do projeto.



Vila Que Era - Imagem: Mayka Melo.


Na semana que vem, vão começar os preparativos para as oficinas que serão realizadas no terreiro de Pai Kauê, irmão e filho de D. Rosa, irmã de Pai Raimundo, conhecida maruja mantenedora da tradição da Marujada e do culto a São Benedito. “A segunda etapa do projeto seguirá mais próxima do planejamento inicial que prevê realização de oficinas e exposição de foto e vídeo performances a serem produzidas pela comunidade do terreiro do Pai Kauê, localizado no bairro da Piçarreira em Bragança”, diz a pesquisadora.




A exposição que encerrará o projeto, no mês julho, contará com montagem reunindo as produções realizadas nos dois terreiros e será realizada em espaço cultural na cidade de Bragança. “Esperamos que essas práticas tenham um potencial não só de registro dessas memórias, mas também de criação para que essas pessoas percebam que elas criam a cultura, elas criam a arte, elas também são produtoras e fazedoras desse saber cultural e artístico”, conclui.




Além de Marília Frade, o projeto conta Pierre Azevedo, pesquisador e produtor em projetos científicos, culturais e audiovisuais; Pedro Olaia, ator, performer e articulador cultural em rede, que vem desenvolvendo projetos artísticos e culturais em comunidades tradicionais; Mayka Melo, fotógrafa bragantina, mantenedora da cultura popular como maruja há sete anos; Raquel Leite, fotógrafa bragantina com obras realizadas na área do audiovisual, e San Marcelo, operador de câmera, diretor, roteirista e montador.



Serviço

Encantarias de São Benedito: Lançamento de Videoarte e "Mostra Fotográfica e

Audiovisual". Neste sábado, 1º de Maio, a partir das 19h, no Centro Comunitário da

Vila que Era, em Bragança-PA.


Texto: Luciana Medeiros (91) 98134-7719 (Holofote Virtual)

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