Paraense recebe menção honrosa no Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”

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Ana Carolina Lucena - Divulgação

A estudante do Ensino Médio Ana Carolina Lucena, da Escola de Aplicação da UFPA (EAUFPA), recebeu Menção Honrosa na categoria “Meninas na Ciência” na segunda edição do Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”, promovido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O trabalho intitulado “A morte como testemunho da vida: família e escravidão nos testamentos do Centro de Memória da Amazônia (Belém, Pará, c.1800-1850)” foi orientado pelo professor Daniel Barroso, docente de História da EAUFPA.




O prêmio é um incentivo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) a estudantes do nível médio que busquem participar de projetos de iniciação científica. Foram recebidas indicações de 286 candidatas, oriundas de 18 estados e 70 municípios de todas as regiões do País. Uma comissão julgadora escolheu duas vencedoras, uma do Ensino Médio e uma da Graduação. Também foram concedidas 4 menções honrosas. A cerimônia virtual de entrega do prêmio será no dia 11 de fevereiro, “Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência”.




Para Ana Carolina, o resultado é importante como ponto de partida para a sua vida científica. “Quando se nasce preta e pobre, a sociedade tenta nos convencer que a vida científica não faz parte de nossa realidade. Hoje, as nossas vozes ecoam cada vez mais alto e estamos alcançando espaços que, por muito tempo, não se aceitava que ocupássemos. Tive a oportunidade de iniciar pesquisas científicas bem cedo, ainda no Ensino Médio, e saber que o meu primeiro trabalho científico recebeu tamanho reconhecimento me dá fôlego para continuar na minha caminhada acadêmica”, afirmou.




“A indicação ao prêmio pela UFPA já me deixou feliz e realizada, pelo significado que teve para mim e a minha vida acadêmica, que está se iniciando. Ao receber a menção honrosa, não caibo em mim de tanta alegria. Espero que ajude a incentivar outras meninas pretas a ingressarem no mundo acadêmico e da pesquisa científica, afinal eu não luto apenas por mim. Sempre será pelas que vieram antes de mim, pelas que dividem as lutas comigo e pelas que ainda virão”, avaliou.




O plano de pesquisa desenvolvido por Ana Carolina teve como objetivo analisar aspectos das relações familiares e da escravidão na Belém oitocentista, por meio de testamentos do século XIX. O trabalho foi orientado pelo professor Daniel Barroso com o apoio constante da professora Jane Beltrão, antropóloga e docente da UFPA que escreveu a carta de recomendação da estudante ao prêmio.



Ana Carolina Lucena - Divulgação


Reconhecimento - O professor Daniel Barroso declarou que a menção honrosa concedida à Ana Carolina, além de ser um reconhecimento por seus méritos como pesquisadora em formação, incentiva que mais alunos da Escola de Aplicação participem de projetos de pesquisa na UFPA como um todo. “Somos uma Escola que valoriza a formação crítica, cidadã, artístico-cultural e científico-tecnológica dos nossos alunos, vinculada a uma universidade que, cada vez mais, vislumbra no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico um dos seus vetores essenciais para o desenvolvimento social da região”.




Ele destacou ainda que a experiência permitirá à aluna que ingresse na graduação já com conhecimento de método, de historiografia e prática de pesquisa em Humanidades, fatores que contribuem para uma formação acadêmica sólida e profícua.



Opinião compartilhada pela professora Jane Beltrão, que define o prêmio como um incentivo fantástico: “especialmente, porque se refere ao desenvolvimento de uma formação que reúne conhecimento aprofundado e espírito crítico, imprescindível aos/às cidadãos/ãs no mundo de hoje. Mundo que exige capacidade de análise e cidadania revestida de humanidade para indicar os bons caminhos da democracia. Estudar História e compreender o passado é necessário para agir e se fazer ouvir”.



Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) - Divulgação.


Para a antropóloga, Ana Carolina procurou, junto com seu orientador, compreender o que massacra, ainda hoje, pessoas que possuem condições sociais semelhantes às suas. “Creio que nossa missão enquanto docentes/pesquisadores/as é compreender os racismos que atravessam as nossas vidas e tentar esclarecer e conquistar os/as demais para criar uma sociedade justa e plural. Que muitas Ana Carolina despontem em nossos caminhos. Fico feliz com a vitória dos que lutam e são exemplos de mérito. Agradeço a sensibilidade da pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação Iracilda Sampaio e ao reitor Emmanuel Zagury Tourinho por endossar o que vislumbramos, Daniel e eu, lá atrás. É um orgulho ser UFPA e ver nossa utopia contemplada”, declarou.



Leia o texto completo AQUI.


Texto: Jéssica Souza e Adams Mercês / Ascom UFPA .

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