Missão Belém realiza campanha para reformar um dos seus espaços em Benevides

Atualizado: 17 de Dez de 2019

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Casa de Acolhida Maria de Nazaré / Missão Belém Benevides [Pará] - Imagem: divulgação.

Seu João, de 82 anos, já passou por 13 capitais brasileiras. Ele sonha conhecer a Ilha do Marajó. Nasceu em Bom Jesus da Lapa (Bahia). Era tropeiro na década de 70. Serviu o exército, um sonho realizado. Foi 1º sargento, contudo, resolveu sair da Força Armada Militar. Ele queria conhecer outros lugares do Brasil. Depois de muito explorar o país - e sem acumular riquezas materiais -, chegou ao Pará. Há dois meses está sendo acolhido pela Missão Belém. “Com toda essa minha caminhada pelo Brasil, não conhecia um lugar assim”, diz ele ao se referir à Missão. Lá ele recebe cuidados, alimentação e amor. Tem uma cama para dormir e o mais importante: uma família. Foi encaminhado à Missão Belém pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), da capital paraense.




Além de idosos, a Missão Belém também acolhe usuários de drogas e pessoas em situação de rua. Alimenta o corpo e o espírito de quem precisa de um lar, de quem busca uma família. As bases do movimento são a espiritualidade e o trabalho. As casas são gerenciadas pelos próprios acolhidos, acompanhados por coordenadores gerais (os missionários, padres e/ou irmãs). O senso de responsabilidade, a oração e o cuidado com o próximo, ajudam no processo de restauração e retorno à dignidade humana de quem chega lá, querendo mudanças.




No Pará, atualmente a Missão Belém possui um espaço de acolhimento na Rodovia Augusto Montenegro, na capital, e um sítio no município de Benevides, a Casa de Acolhida Maria de Nazaré, que vive da solidariedade e dos frutos da sua própria labuta. Trabalhos com a plantação de açaí e hortaliças, além de compostagem, produção de adubos e criação de galinhas e porcos são realizados. Há também uma panificadora e uma fábrica de vassouras, feitas com garrafas pet. “Hoje temos cerca de 300 acolhidos. A comunidade é constituída por dez casas, que formam famílias de oração e vivência cristã. E uma de nossas casas está interditada, com o segundo andar caindo, impedindo assim o acolhimento de 32 pessoas, que poderiam estar restaurando os seus corações

para começar uma vida nova. Precisamos, com urgência, fazer uma reforma” conta Thyago Rezende, um dos voluntários da Missão Belém no Pará.




Gabriel, nome fictício, é paraense e tem 28 anos. Conheceu o movimento Missão Belém

através da Fraternidade O Caminho. “Não vim de uma vida muito fácil. Conheci a droga aos 15 anos. Cometi delitos para sustentar o vício. Fui preso pela 1ª vez aos 16 anos. Passei 3 meses no Centro de Internação do Adolescente Masculino (CIAM). Ao sair de lá, tentei viver uma vida normal. Não consegui. Dizem que quando você conhece as drogas, vive no tempo do ‘ainda’. Se ainda não fez alguma coisa errada, vai fazer motivado pelo desejo de consumir drogas. Por causa delas perdi grandes oportunidades. Uma delas foi a de ser jogador de futebol profissional. Tive várias recaídas até ir parar nas ruas. Ir pro papelão é mais difícil do que ir pra cadeia, pois ali você está exposto. Na rua todo mundo te vê, mas ninguém te olha. Cheguei na Missão Belém pela 1ª vez em 2014. Vim pedindo caronas até Benevides. Ao chegar, estava descalço, sujo e com fome, sem esperanças. Fui recebido com um abraço e palavras de superação. Ao ver que eu estava descalço, um dos coordenadores tirou as suas próprias sandálias e me deu para calçá-las. Aqui tenho uma família que acredita em mim. Estou me restaurando, me encontrando com Deus”.



O espaço precisa de reformas urgentes - Imagem: divulgação

Na Missão Belém, a responsabilidade do Gabriel é cuidar de idosos. Muitos foram abandonados pelos próprios familiares. Outros estão gravemente doentes. E existem aqueles que não tem lugar para ficar ou estão sem família. “Dizem que quem cuida dos vôzinhos se regenera duas vezes. Nem sempre é fácil. Às vezes eles nos xingam, jogam comida na nossa cara, batem na gente, porém, cada um tem a sua história. Se estamos aqui junto com eles é pelo fato de termos que passar por isso”, acredita Gabriel que cuida de cada idoso com muito zelo e amor.




A Missão Belém não é uma instituição privada com fins lucrativos, não é organização não governamental (ong) ou um órgão público, não é uma casa terapêutica. É um movimento religioso que nasceu há 14 anos na Arquidiocese de São Paulo. Existe ainda na Itália, no Haiti e em outros países. “Como o próprio nome expressa, o Movimento se propõe de reviver o Mistério de Belém: Jesus que nasce pobre no meio dos pobres, numa mísera gruta, acolhido com carinho por Maria e José. Portanto, nossa primeira finalidade é viver o espírito de família forte e humilde que existia no seio da Sagrada Família, encarnado no meio dos pobres, com os pobres, como os pobres, alcançando o coração dos pobres”, diz um trecho do livro que explica o que é a Missão Belém.




Para ler o livro na íntegra clique AQUI.


O material necessário à reforma do 2º andar da casa interditada é:


- 30 Varas de ferro 3/8;

- 40 Varas de ferro 4/2;

- 16 dúzias de tabuas brancas;

- 60 sacas de cimento;

- 5 kg de arame recozido;

- 10 metros de seixo;

- 12 metros de areia;

- 100 metros de lajota branca;

- 50kg de rejunte preto;

- 40 pacotes de argamassa AC II.


INFORMAÇÕES THYAGO REZENDE (91) 98422-2207


Saiba como ajudar a Casa de Acolhida Maria de Nazaré – Missão Belém/Benevides (Pará)

Contatos

Telefones: (91) 98209.4706 / 99219.2425 [Coordenador geral: Padre Divã Anísio]

E-mail: ajudemissaobelempa@gmail.com

Endereço: Estrada do Bituba, no 07, Nova Olinda – Benevides / Pará

Site: https://missaobelem.org/


Texto: Vivianny Matos (Jornalista – Estante Cultural)

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