Livro conta a história de defensores da reforma agrária e direitos humanos mortos no Pará

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Imagem: divulgação.


Com quase 800 páginas, o livro contém 20 trabalhos assinados por quase 30 pessoas, onde constam casos de dirigentes sindicais, advogados, religiosos, chacinas e defensores do meio ambiente. O fotógrafo Sebastião Salgado cedeu fotos do Massacre de Eldorado, enquanto o procurador da República Felício Pontes assina artigo sobre a missionária Dorothy Stang, assassinada em 2005. O lançamento nacional ocorre segunda feira, 18, a partir das 19h, no Campus I da Unifesspa, em Marabá, quando o assassinato de Gabriel Pimenta soma 40 anos de impunidade.




Em meio ao delicado ambiente que nubla a vida da sociodiversidade amazônica, marcado pelo aceno que se ergue a partir do governo nacional em favor de toda ordem de violência, em alinhamento com os setores mais conservadores da nossa sociedade, um livro brota dos sertões da Amazônia, tendo como ponta de lança filhas, filhos, amigos e familiares de dirigentes sindicais, defensores dos direitos humanos e do meio ambiente que tombaram nas jornadas da luta pela terra no Pará. Além de familiares e amigos, educadores e pesquisadores assinam relatos que contemplam casos de assassinatos e chacinas nos anos considerados os mais sangrentos, a década de 1980, mas, não se restringe à ela.




O livro resulta de projeto de extensão da Universidade do Oeste do Pará (UFOPA - @ufopaoficial), sob coordenação dos professores Rogerio Almeida, do curso de Gestão Pública, e do professor Elias Sacramento (UFPA), curso de História na região do Baixo Tocantins, que teve o pai assassinado na região do Moju, na década de 1980, o sindicalista Virgílio. Entre autores, revisores, diagramadores, extensionistas e outros colabores, o projeto que durou dois anos, aglutinou um patamar de 50 pessoas no esforço em tratar sobre os cenários da violência na luta pela terra no estado. Com quase 800 páginas, a obra Luta pela terra na Amazônia: mortos na luta pela terra! Vivos na luta pela terra! apresenta uma iconografia vasta em fotos, cartazes e recortes de jornal. O PDF da obra é aberto e pode ser acessado no blog http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com/ . Além de Marabá, o livro será lançado em Belém, Xinguara, Santarém, Imperatriz/MA, e no segundo semestre no Rio de Janeiro.





A violência nas paragens da região é compreendida no livro sob o prisma estrutural que marca o avanço do capital sobre a Amazônia, como atesta os recentes acontecimentos transcorridos no estado do Amazonas, que redundou no assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Fato precedido pela chacina da família do senhor Zé do Lago, ocorrida em janeiro, no município de São Félix do Xingu, no Pará.




As violências representam digitais do processo da integração subordinada da Amazônia aos circuitos econômicos mundiais. Há sangue em todas as latitudes. Sangue de indígenas, quilombolas, camponeses e das pessoas a eles alinhados, como advogados e religiosos, entre outros sujeitos.




20 trabalhos divididos em seis seções dão corpo à obra: i) Camponeses, onde são realçados nove casos, entre eles, o de Raimundo Ferreira Lima (Gringo), João Canuto, Expedito Ribeiro, Virgílio Sacramento, José Dutra da Costa (Dezinho), Avelino Silva; ii) Massacres, que contempla os casos da Chacina Ubá, Chacina da fazenda Princesa e o Massacre de Eldorado; iii) Gabriel Pimenta, João Batista e Paulo Fonteles integram o bloco dedicado aos advogados que combateram o latifúndio, enquanto que no item iv) Irmã Adelaide, padre Josimo e a Romaria das Meninas compõem a seção dedicada aos religiosos; v) na parte dedicada à entrevistas dão corpo à seção os relatos do Padre Paulinho, ex-coordenador da CPT do Pará, e o recém falecido dirigente camponês do Maranhão, Manoel da Conceição; e por fim, vi) o anexo faz um resumo sobre casos de mortes e o andamento dos processos.




SERVIÇO – Lançamento do livro Luta pela terra na Amazônia: mortos na luta pela terra! Vivos na luta pela terra!


Agenda de lançamento:


Marabá – 18/07

Local: auditório do campus I da Unifesspa

Hora: 19h


Belém – 30/07

Local: UFPA – Fórum Social Panamazônico (FOSPA), hall do Auditório Benedito Nunes

Hora: 11h


Imperatriz/MA – 19/08

Local e hora: a definir





Xinguara – 13 e 14/09

Local: Sintepp – (Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação Pública do Pará)


Texto: Tiago Júlio Martins (Assessoria de Imprensa)