Exposição apresenta memórias de diálogo artístico no Mercado do Porto do Sal, em Belém

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Exposição Mercado do Porto do Sal - Imagem: divulgação


A partir do diálogo entre arte e cultura ribeirinha, a artista Elaine Arruda e o mestre de carpintaria naval João Aires inaugurou na última quinta-feira (19/12) a mostra “Mastarel: Rotas Imaginais” no Espaço Cultural Banco da Amazônia, com curadoria de Vânia Leal. A exposição reúne elementos da pesquisa visual e material no entorno do Mercado do Porto do Sal, localizado no bairro da Cidade Velha, na capital paraense. O nome da mostra é uma alusão ao conceito de uma “Amazônia Imaginal” descrita pelo autor Vicente Franz Cecim, que descreve esse estado entre o real e o imaginário.




A exposição terá fotografias, gravuras, desenhos, livro de artista, documentos e objetos que fazem parte da pesquisa de doutorado de Elaine, na Universidade de São Paulo (USP), e que contam a história do desenvolvimento da obra “Mastarel”, instalada em 2016 no topo do mercado, às margens da baía de Guajará tornando o local num barco imaginário; seu João é o único mestre em carpintaria naval da região do Porto do Sal, um dos raros locais da cidade onde a prática da construção de barcos em madeira é exercida.



Quando instalada, há três anos, a ideia era lembrar a presença dos mastaréus (parte superior do mastro) nos barcos e o próprio território ribeirinho como uma referência ao passado de tradições que estão desaparecendo, deslocando simbolicamente a margem do rio para cima do mercado por meio da instalação artística. Desta vez, os artistas observam as narrativas e a poesia da obra, a partir da relação das pessoas que moram nas palafitas ao redor do mercado e que circulam e trabalham diariamente por lá - um desdobramento do sentido inicial da obra.




“Passamos a pensar o próprio mercado como um barco, a partir das entrevistas com os moradores. Uma das feirantes, a Arlete, que tem um restaurante em um box, me relatou que as pessoas chegam ao mercado e se referem à ele como um barco, perguntam quando o barco vai navegar. Ela responde que todos os dias. Foi a partir disso que começamos a pensar nesse espaço como pertencente à uma Amazônia do passado, entre o real e o imaginário”, comenta Elaine Arruda.




Mastarel: Em proposta de site specific (obras criadas para um determinado local e em diálogo com a sua história e pessoas), “Mastarel” foi o resultado de uma relação de pesquisa sobre a paisagem ribeirinha da Cidade Velha. Contemplada com o Prêmio de Pesquisa e Experimentação Artística 2016, da Fundação Cultural do Pará (FCP), a ideia era que a obra ficasse por 30 dias no topo do mercado, mas por conta de uma repercussão positiva junto à comunidade, o Iphan concedeu parecer favorável à permanência do mastro. Com isso, a estrutura recebeu iluminação de Lúcia Chedieck bem como restauros periódicos.



Serviço

Exposição “Mastarel: Rotas Imaginais”, de Elaine Arruda e mestre João Aires, com

curadoria de Vânia Leal

Centro Cultural Banco da Amazônia (Av. Pres. Vargas, 800 - Campina)

Entrada gratuita

Visitação: 20/12 a 30/01/2020, de 9h às 17h


Texto: Dominik Giusti

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