Covid19: Pesquisa constata que a cada 10 dias casos no Marajó (PA) mais do que dobram

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Observatório do Marajó - Imagem: Vitória Leona.


Desde que a primeira pessoa foi confirmada com coronavírus na região do Marajó (PA), no dia 15 de abril, a equipe do Observatório do Marajó já estava acompanhando a situação dos estados do norte do Brasil e, a partir de então, realiza análises semanais por meio de boletim em suas redes, constatando que a cada 10 dias os números de casos de Covid-19 no Marajó mais do que dobra.




Atualmente, a região está com 2352 números de casos e Breves, o maior município do Marajó, é o terceiro do Estado em casos confirmados e de mortes, ficando atrás apenas da capital paraense, Belém, e de Ananindeua, município da Região Metropolitana.



A cidade de Breves concentra a maior quantidade de leitos públicos da região e é a única em que as unidades de saúde pública possuíam respiradores, fazendo da cidade a referência para atendimento médico da população de outros 09 municípios do Marajó. Breves foi a primeira cidade o arquipélago a receber um Hospital de Campanha, que teve um atraso de 18 dias. Contudo, segundo recente pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pelotas (RS), 25% da população do município já foi infectada pelo novo coronavírus.



Observatório do Marajó - Imagem: Vitória Leona.

Tais dados alarmantes ressaltam uma realidade historicamente vulnerabilizada em diversos aspectos, conforme salienta a coordenadora do Programa Direitos Humanos, Infâncias e Diversidade no Arquipélago do Marajó (DHIDAM/UFPA), Jacqueline Tatiane da Silva Guimarães: “nesta região ainda há muitos casos sem confirmação em decorrência da estrutura precária do sistema de saúde e pela falta de recursos financeiros da população de se deslocarem de suas comunidades para os centros urbanos. Muitos neste momento estão praticando a automedicação ou o autocuidado, recorrendo às suas orações e aos seus chás de ervas, acreditando que estão lidando com uma gripe comum”.





O novo coronavírus não revela o caráter desigual do Brasil, mas sim reafirma e escancara as desigualdades já existentes e a insuficiência de suas políticas públicas. Nesse sentido, a proposta do Observatório do Marajó é reunir dados que traduzem melhor o cenário atual do arquipélago, com o objetivo de trazer visibilidade para a região, mostrando que a desigualdade social, a falta de políticas públicas eficientes e a ausência de direitos garantidos costuram a realidade da vida das pessoas no Marajó, desde antes do acontecimento da pandemia do novo coronavírus alcançar a região.




“Enquanto um observatório, pode parecer que o elemento mais importante do nosso trabalho é o dado, mas não. O dado é só uma capa que envolve e representa o verdadeiro elemento que nos importa: a realidade da vida das pessoas. É sobre isso o observatório do Marajó e este caderno”, afirma o coordenador do observatório, Luti Guedes.



Observatório do Marajó - Imagem: Vitória Leona.


“Cadernos do Marajó” - Edição Especial: 40 dias de Marajó com Coronavírus



Os números relacionados a extensão do contágio do novo coronavírus no Marajó impressionam, mas não surpreendem. Não seria possível esperar outro cenário de uma região historicamente vulnerabilizada. Contudo, é importante evidenciar sobre as particularidades que envolvem este território que, assim como a Amazônia, é diverso e heterogêneo, para se compreender os desafios enfrentados pelos cidadãos marajoaras.



Imagem: divulgação.

Lavar as mãos com água e sabão é a medida mais eficiente de autocuidado para a prevenção da Covid-19, no entanto, para os habitantes da maior ilha fluviomarítima do mundo, este simples ato se torna um desafio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa da população total da região do Marajó em 2019 era de 564.199, espalhados pelos 16 municípios que compõem o arquipélago. Levantamento do Observatório do Marajó com apoio do Instituto Água e Saneamento mostrou que apenas 03 municípios (Salvaterra, Santa Cruz do Arari e Soure) têm mais da metade das suas populações conectada à rede geral de distribuição de água e apenas 02 municípios (Cachoeira do Arari e Soure) têm mais de um quarto da sua população com esgotamento sanitário (incluindo fossas sépticas).





Esses dados alarmantes mostram a importância do acesso à informação, que é também um direito à memória, já que dados não são apenas números em si, mas representações da população, de seres humanos. Nessa perspectiva, a reunião destas informações não se deu em virtude da magnitude do que o novo coronavírus representa neste momento para a sociedade, e sim pela relevância que a região do Marajó e os seus cidadãos possuem. Diante disso, esta edição especial dos “Cadernos do Marajó” se trata da análise dos 40 dias de Marajó com o coronavírus, e não o contrário.




Serviço: O “Cadernos do Marajó” - Edição Especial: 40 dias de Marajó com Coronavírus está disponível no site www.observatoriodomarajo.org. O Observatório do Marajó também disponibilizará em seu site a planilha com todos os dados usados no caderno, para que qualquer pessoa possa utilizá-los.


Texto: Na Cuia Produtora Cultural

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