"Anseio de Argila” reúne poemas escritos pela escritora Lilia Chaves

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Livro de Lilia Chaves - Imagem: Desiree Giusti / Divulgação.

Com poemas eróticos, que remetem à nossa natureza, a escritora Lilia Chaves lançou no

começo de setembro (10) na Livraria da Fox, em Belém, o livro “Anseio de Argila” (Amo! Editora). O livro, com prefácio de Lúcio Flávio Pinto, reúne poemas sob as temáticas erótica e sensual do corpo e da palavra. A obra foi incentivada por Maria Sylvia Nunes, que ainda em vida pediu à autora que a publicasse. Na capa vê-se a pintura “O abraço”, do austríaco Egon Schiele.




“O ‘anseio de argila’ é o anseio da vida, do desejo, do corpo. Ao escrever esse verso senti

que poderia ser o título de um livro. A argila lembra a criação do primeiro homem, pois que Deus fez o homem do barro e essa ideia levou-me à do anseio erótico. Durante esse período de duas décadas (entre meu primeiro livro e este), percebi que muito do que eu escrevia era sobre essa temática”, explica a autora. A escritora costuma arquivar os poemas ano a ano, para então debruçar-se sobre eles e encontrar uma unidade nos escritos, sem antes conceber um livro com um conceito pré-definido.




Ao abordar questões como sexo e desejo, “Anseio de Argila” questiona também o sentido do pecado e fala de liberdade sexual – já que a ideia de que homens pecam e de que o profano não é digno de ser vivenciado surge, historicamente, com a ascensão do cristianismo. “Mas acredito que hoje as mulheres e os homens transgrediram essa ideia de pecado, e o livro trata da liberdade do prazer, comenta Lilia Chaves: “E quantos mil anos / se passaram a distorcer os ritos / rompendo pecados / esculpindo transgressões / confundindo argilas / na sagração do desejo”.





Processo criativo : Em “Anseio de Argila”, o processo criativo foi sendo desenvolvido a partir da experimentação com as palavras que pertencem ao universo daquilo que é maleável, que se desdobram em diversas possibilidades de imagens. “É inspiração, mas também há muito trabalho. Penetrei no mundo das palavras sugeridas pela ‘argila’. Veio o barro, toque, a manipulação, o amálgama. E aí veio cascalho, saibro, lama, praia, selva e seiva. As palavras começaram a se entremear e se buscar, não só pelos significados, mas também pelos sons. Até pelas antíteses. E comecei, às vezes inconscientemente, a falar do que me rodeia, da natureza da qual sou parte — a onça, o rio, o lundu, ritmo erótico, por excelência. Uma ideia foi puxando a outra. Assim fui construindo o livro”, explica Lilia.




Natureza : A ideia de sexo como natureza também é uma marca nos poemas do livro, como em “Tabatinga”: “leve / untuosa / a tabatinga / rola na margem / do rio / da carne / e pinga ao gozo da / tarde (...)”, e em “Leito de rio”: “rio de água / branca / ilharga em flor / estanca o cio / bebe-me a cor”. A referência à paisagem amazônica vem nos títulos, nas formas das palavras no papel — sinuosas como os rios e densas como a mata virgem — e no sentimento impresso nas memórias de acontecimentos descritos nos poemas.




Sobre Lilia Chaves : possui graduação em Letras-Francês (UFPA), mestrado em Letras – Teoria Literária (UFPA) e doutorado em Estudos Literários (UFMG). Ensinou Língua e Literatura Francesas na UFPA. Publicou “E todas as orquestras acenderam a lua” (Imprensa Oficial do Estado - 2000) e “Mário Faustino – Uma biografia” (Secult, 2004). Organizou, entre outros livros, “O amigo Bené fazedor de rumos”, “Dulcinéa Paraense – a flor da pele” (Secult, 2012) e “Meu caro Bené, cartas de Mário Faustino a Benedito Nunes (Secult, 2017). Tem poemas publicados em “Poesia do Grão-Pará”, antologia organizada por Olga Savary (2001), e em várias outras. Hoje, aposentada, segue pintando, lendo e escrevendo.




A Amo! Editora chega para valorizar o mercado literário do Norte do Brasil, com um catálogo inédito de publicações que reúne sobretudo os autores contemporâneos da Amazônia. Sua proposta é lançar ou relançar obras fundamentais para a compreensão do legado e da diversidade da região, com o diferencial de promover também a acessibilidade de seus títulos por meio de audiolivros. Obras inéditas de João de Jesus Paes Loureiro e Lilia Silvestre Chaves, entre outros autores do Pará, serão lançadas em 2021. Novos autores também podem submeter seus trabalhos em amoeditora.belem@gmail.com , para que publicações futuras sejam selecionadas por uma equipe de curadores da qual faz parte o poeta Vasco Cavalcante.





Serviço: Livro “Anseio de Argila”, de Lilia Chaves. Disponível na Livraria da Fox (Tv. Dr.

Moraes, 584 - Nazaré, Belém).



Texto: Dominik Giusti (91) 98107-8710 (Sorella Conteúdo)

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